Principais Rituais e Práticas Religiosas Contra Vampiros na Europa Medieval. [A Igreja] Parte 2/3

Principais Rituais e Práticas Religiosas Contra Vampiros na Europa Medieval

Os rituais antivampíricos na Europa medieval e moderna eram uma mistura de práticas pagãs, cristianizadas e folclóricas, refletindo o medo de mortos que retornavam para assombrar os vivos. Abaixo, detalhamos os métodos mais comuns, baseados em evidências arqueológicas e registos históricos:

  1. Práticas Preventivas Durante o Enterro

Posicionamento do Corpo

  • Enterro de bruços: Corpos eram colocados de barriga para baixo, impedindo que “cavassem” para sair do túmulo. Em Pączewo (Polónia), uma menina do século XIII foi encontrada com a cabeça decapitada e virada para baixo.
  • Sepultamento fora de cemitérios: Suspeitos de vampirismo eram enterrados em áreas isoladas, como o caso de uma mulher adulta e uma criança encontradas em Pnie (Polónia), fora do perímetro cristão.

Objetos de Contenção

  • Foices e estacas: Colocadas no pescoço ou sobre o torso para decapitar ou esfaquear o cadáver caso tentasse se levantar. Em Pien (Polônia), uma jovem do século XVII foi enterrada com uma foice de ferro no pescoço e um cadeado no pé.
  • Pedras pesadas: Empilhadas sobre o corpo para impedir movimento, como no caso de uma criança do século XIII em Góra Chełmska (Polônia).
  1. Apotropaicos (Objetos de Proteção)

Itens Sagrados

  • Crucifixos e água benta: Usados para afastar vampiros, seguindo a tradição cristã. Na Sérvia, corpos eram enterrados com cruzes de cera e inscrições como “Jesus Cristo conquista”.
  • Alho e plantas: Ramas de alho, roseira brava ou pilriteiro eram colocadas em túmulos ou nas portas das casas. Na Roménia, o alho era esfregado em janelas e estábulos.

Barreiras Simbólicas

  • Moedas na boca: Inspirado na tradição grega de pagar Caronte, o barqueiro do submundo, mas adaptado para distrair vampiros, obrigando-os a contar grãos ou moedas.
  • Redes de pesca: Envolviam o cadáver para “prender” sua alma, como encontrado em sepulturas polonesas do século XVII.
  1. Mutilação e Destruição do Corpo

Decapitação e Estacamento

  • Estacas no coração: Feitas de madeira específica (freixo na Rússia, pilriteiro na Sérvia). O caso mais famoso é o de Petar Blagojević (1725), cujo corpo “incorrupto” foi estacado e queimado após acusações de vampirismo3.
  • Remoção de membros: Tendões das pernas eram cortados para impedir locomoção. Na Silésia, corpos eram enterrados com foices ao redor do pescoço.

Queima e Desmembramento

  • Cremação: Prática comum em regiões eslavas. Em Kisilova (Sérvia), o cadáver de Blagojević foi queimado após exumação.
  • Separação de partes do corpo: Cabeças eram enterradas separadamente, como em Luzino (Polónia), onde 450 corpos do século XIX foram encontrados com crânios entre as pernas.
  1. Sincretismo Religioso e Resposta da Igreja

Adaptação de Rituais Pagãos

  • Cultos pré-cristãos: Práticas como enterrar foices ou moedas derivavam de tradições eslavas e gregas. A Igreja reinterpretou-as, associando vampiros a demónios ou almas penadas.
  • Rituais de purificação: Sacerdotes realizavam bênçãos em cemitérios e corpos suspeitos, usando sal e água benta para “exorcizar” a ameaça.

Negação Teológica

  • Declarações papais: No século XVIII, o Papa Bento XIV publicou De Servorum Dei Beatificatione, afirmando que corpos incorruptos eram fenómenos naturais, não sobrenaturais, para conter o pânico.

  1. Casos Arqueológicos Notáveis
Local Prática Período
Pien (Polónia) Foice no pescoço e cadeado no pé Século XVII
Góra Chełmska (Polónia) Criança com cabeça virada e pedras no torso Século XIII
Luzino (Polónia) 450 corpos com crânios entre as pernas Século XIX
Veneza (Itália) Tijolo forçado na boca de mulher Século XVI

Balanço Final

Os rituais antivampíricos combinavam medo, pragmatismo e sincretismo religioso. Enquanto a Igreja via os vampiros como uma ameaça à doutrina da ressurreição, as comunidades adotavam medidas brutais para garantir segurança física e espiritual. Arqueologicamente, essas práticas revelam não apenas superstição, mas também respostas culturais a epidemias, mortes súbitas e traumas coletivos, como a peste e a tuberculose, muitas vezes atribuídas a “mortos-vivos”.

WebGrafia – em estilo APA (7.ª edição).


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