O Livre divulgou um comunicado dizendo ser “com profunda preocupação e veemente repúdio que recebemos a notícia do avanço da obra do teleférico entre o Curral das Freiras e a Boca da Corrida. Trata-se de uma intervenção que representa uma ameaça séria à integridade ambiental, geológica e paisagística da Madeira, comprometendo valores que deveriam ser inegociáveis”.
Este projecto, inicialmente orçado em 31 milhões de euros (Fevereiro de 2022), já ultrapassa os 49 milhões (Abril de 2025) — uma escalada de custos inaceitável, sobretudo quando não foram cumpridas obrigações fundamentais de avaliação e proteção ambiental.
O Curral das Freiras é uma zona de elevada sensibilidade, marcada por fenómenos naturais recorrentes como derrocadas, aluviões e incêndios. A instalação de um teleférico, com as suas infraestruturas e impactos permanentes, corresponde a uma intrusão grave numa paisagem única, onde o dever das autoridades deveria ser apenas um: conhecer, proteger e conservar.
A erosão natural será agravada pela construção e operação do teleférico. É legítimo perguntar: quem se responsabilizará pelas consequências futuras destes impactos?
No plano ecológico, os riscos são igualmente alarmantes. A obra coloca em causa a sobrevivência da freira-da-madeira, uma das aves marinhas mais raras e ameaçadas do mundo. Trata-se de uma espécie vulnerável, protegida, cujo habitat está restrito e não tolera perturbações.
Denunciamos ainda a ausência de uma Avaliação Adequada (AA), exigida pelo artigo 6.º, n.º 3 da Directiva Habitats, e que não foi substituída, nem de perto, pelos estudos de Impacte Ambiental realizados. A jurisprudência europeia (caso Waddenzee – C-127/02) estabelece que, em caso de incerteza ou dúvida científica, as autoridades devem abster-se de aprovar projetos com potencial destrutivo, sob pena de violar os princípios fundamentais de precaução e de proteção da natureza.
Mais: em caso de incêndio, como poderão actuar os meios de combate aéreos? A presença de cabos suspensos e estruturas metálicas em áreas íngremes e florestadas torna a operação perigosa e ineficaz.
A única excepção para intervenções em áreas protegidas deve ser a segurança da população. Este não é o caso. O teleférico serve interesses económicos imediatos, não necessidades vitais. E é precisamente isso que o torna tão grave, considera o Livre.
A Madeira precisa de um modelo de desenvolvimento que respeite o seu património natural — não de projectos que sacrificam o essencial para alimentar uma visão curta de progresso.
O Curral das Freiras não é cenário para experiências turísticas de alto risco. É um legado que devemos preservar com firmeza e convicção, prossegue o partido, pela voz de Marta Sofia, cabeça de lista pelo círculo eleitoral da Madeira.
Neste contexto, o partido anuncia que irá apresentar uma queixa formal à Comissão Europeia, exigindo a verificação de eventuais violações das Directivas Habitats, Aves e Avaliação de Impacte Ambiental por parte do Estado português. A preservação das Zonas Especiais de Conservação é um dever europeu — e os cidadãos da Madeira têm o direito a um futuro que respeite a sua paisagem, biodiversidade e segurança.
Pelo respeito à natureza, à vida e às futuras gerações,
Continuamos a dizer NÃO a esta obra.
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