O PCP divulgou um extenso comunicado, no qual considera que a Estratégia Regional de Habitação está desfasada da actual realidade.
“A nova realidade que hoje vivemos, com o aumento generalizado dos preços dos bens essenciais, com o aumento da especulação imobiliária, com o aumento dos preços da construção e com a redução do poder de compra das famílias, são factores que colocam completamente desactualizada a Estratégia Regional de Habitação definida pelo Governo Regional, assim como as previsões do Governo Regional no que diz respeito à utilização das verbas do PRR para a construção e aquisição de habitação”, sentenciam os comunistas.
“Segundo a Estratégia Regional de Habitação de Junho de 2020, existiam mais de 4,8 mil famílias que solicitaram apoio para a habitação, das quais 3 mil tinham um rendimento mensal inferior ao salário mínimo, ou seja, estas famílias não têm condições de encontrar no mercado de arrendamento uma habitação digna para as suas necessidades e muito menos têm condições para a aquisição de casa própria”, refere a nota enviada à comunicação social.
“A realidade mudou drasticamente desde 2020, e hoje com o aumento do custo de vida, os baixos salários, a especulação imobiliária, o aumento dos juros para o crédito à habitação e os valores elevados das rendas, estão a fazer com que muitas famílias que conseguiam resolver o seu problema habitacional com meios próprios deixe de ter tais condições”.
“A 28 de Outubro de 2021 o Governo Regional anunciou que através do PRR que até 2026 pretendia construir ou adquirir 1.221 habitações num valor de 138 milhões de euros. Mais recentemente o Secretário Regional do Equipamento e Infraestruturas afirmou que estavam previstos utilizar 136 milhões de euros do PRR para a construção de 800 habitações, até 2026 das quais 600 habitações iam ser construídas até final de 2024. Em tão pouco tempo foi reduzida a perspectiva de construir 421 habitações”, constata o partido.
O Governo Regional afirmou que estas habitações seriam disponibilizadas para a renda acessível para jovens casais ou para a venda a um custo em média inferior a 30% ao praticado no mercado imobiliário, o que demonstra que o número de habitações a construir não só é insuficiente face às necessidades, assim como os critérios de atribuição das novas habitações vão deixar a grande maioria dos inscritos no IHM fora dos parâmetros para aceder a uma destas casas, aponta o PCP.
Ora, considerando a drástica alteração da realidade em matéria de habitação na Região Autónoma da Madeira; considerando a necessidade de adequar a Estratégia Regional de Habitação à nova realidade; e considerando que estão em causa a utilização de dinheiros públicos e fundos comunitários, o PCP apresentou na Assembleia Regional um Projecto de Decreto Legislativo Regional para a criação de uma Comissão de Acompanhamento para a execução da Estratégia Regional de Habitação e para a execução das verbas do PRR destinadas à Habitação.
A Comissão de Acompanhamento, propõe o PCP, é composta por:
- a)Um membro designado pela Secretaria que tutela a área da Habitação;
- b)Um membro designado pela Secretaria que tutela as políticas sociais;
- c)Um membro indicado pela Investimentos Habitacionais da Madeira;
- d)Um membro indicado pelo Instituto da Segurança Social da Madeira;
- e)Um membro indicado por cada uma das Câmaras Municipais da RAM;
- f)Um membro da delegação regional da ANAFRE;
- g)Dois membros indicados pela Assembleia Legislativa da RAM.
E visa:
- a)Acompanhar e fiscalizar a execução da Estratégia Regional de Habitação;
- b)Acompanhar e fiscalizar a execução das verbas do PRR destinadas à Habitação;
- c)Realizar estudos sobre a realidade habitacional da Região Autónoma da Madeira;
- d)Elaborar anualmente um relatório sobre a execução da Estratégia Regional de Habitação, que deve ser entregue na Assembleia Legislativa Regional 90 dias depois do fim do ano a que se reporta o relatório;
- e)Elaborar anualmente um relatório sobre a execução das verbas do PRR destinadas à Habitação, que deve ser entregue na Assembleia Legislativa Regional 90 dias depois do fim do ano a que se reporta o relatório.
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