Roberto Almada criticou o tardio regresso da Escola Hoteleira ao sector público

Os candidatos do Bloco de Esquerda às Eleições Legislativas Regionais deste ano estiveram recentemente junto às instalações da Escola Hoteleira. Ali Roberto Almada, cabeça-de-lista do Partido, considerou que a concessão da escola hoteleira aos privados, efectuada em 2010, tornou-se num autêntico negócio ruinoso para os cofres da Região e num negócio da China para os privados.
“O GR comprometeu-se a injetar quase 4 milhões de euros até 2025 para que um grupo privado gerisse uma escola que era de excelência e que o sector público geria com muito menos gastos. Como se isso não bastasse, uma fiscalização realizada em 2016, na sequência de uma auditoria do Tribunal de Contas, detectou várias irregularidades e incumprimentos do contrato de concessão: não realização de obras de manutenção do imóvel, o não cumprimento dos padrões de qualidade e segurança, o não cumprimento do pagamento de rendas, o incumprimento da promoção de acções de investigação e desenvolvimento, o incumprimento com os pagamentos de seguros, gestões financeiras, no mínimo, danosas e pouco claras, entre tantas outras irregularidades”, referiu.
Na o BE apresentou um projecto para reverter a concessão desta escola aos privados propondo a sua integração no setor público, sob a alçada do Instituto para a Qualificação. Mas o PSD/CDS e alguns outros partidos “que só acordaram agora, quase sete anos depois, não apoiaram a nossa proposta e mantiveram a Escola Hoteleira sob gestão privada, mesmo sabendo que essa gestão era danosa. A partir daí todos os anos em que estivemos na Assembleia propusemos o a reversão da concessão e apesar do secretário da Educação até achar que tínhamos razão, nunca concretizou essa mesma reversão”, disse Almada.
“Finalmente, em ano de eleições, vem o secretário regional da educação anunciar a integração da Escola Hoteleira no sector público, de onde nunca devia ter saído, mas anuncia uma indemnização de quase 4 milhões a pagar aos privados que nunca cumpriram devidamente com o contrato celebrado com o governo”, critica o Bloco.
“Concordamos que ninguém deve ir para o desemprego mas alertamos todos os interessados para a necessidade de cumprir com as regras que regem a contratação e progressão de pessoal docente e não docente, no sector público, para que mais tarde não nos confrontemos com situações de inconstitucionalidade e ilegalidade, que a todos podem prejudicar, e para que outros profissionais da educação que já se encontram no setor público não se sintam discriminados”, disse ainda Roberto Almada.
E aproveitou para desfazer o “mito” que os privados gerem melhor que o público: “Estão aí os exemplos da Escola Hoteleira ou dos CTT, entre outros (…)”, disse.

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