Lesados do Banif pedem que Albuquerque influencie António Costa

foto Rui Marote (arquivo)
A Associação dos Lesados do Banif (ALBOA) veio congratular-se com as recentes palavras do presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, no sentido de se encontrar rapidamente uma solução para os mesmos. Na sequência destas palavras, a ALBOA apela ao chefe do executivo madeirense para que exerça a sua influência junto do primeiro-ministro, António Costa, no sentido deste acelerar o processo em curso e resolver urgentemente o problema, de forma a assim minorar o sofrimento de milhares de pessoas, sofrimento este que se arrasta há já mais de sete anos.
 
Com efeito, em declarações públicas na Madeira, o presidente do Governo Regional lamenta que notícias deem conta que nenhum lesado Banif vá recuperar os créditos no âmbito do processo de insolvência do banco.
“Acho extraordinário como não se pode pagar aos lesados (do Banif) porque desde que começou esta trapalhada o Estado já meteu mais 25 mil milhões de euros nos bancos” – disse.
“A esperança – prosseguiu – é que seja criado um mecanismo, na linha do que aconteceu com a resolução do BES, que permita aos credores recuperarem parte do dinheiro”.
Este mecanismo, referido por Miguel Albuquerque, passa pela constituição de um Fundo de Recuperação de Créditos no âmbito da CMVM (Comissão do Mercado de Valores Imobiliários), instrumento que, à semelhança do Caso BES, permitirá libertar fundos destinados a ressarcir em parte as perdas dos lesados do Banif.
Desde o final do ano passado que se iniciaram no Ministério das Finanças reuniões de um Grupo de Trabalho, com representantes das diversas entidades envolvidas. Porém, este Grupo de Trabalho só foi constituído sete anos depois da resolução do Banif e prossegue os seus trabalhos a um ritmo tão lento que não se coaduna com a urgência de resolução dos lesados do Banif, que apresenta situações humanas verdadeiramente dramáticas.
Um dos desejos da ALBOA é que o primeiro-ministro efectue publicamente a assinatura de um protocolo de compromisso, à semelhança do que aconteceu também precisamente com o Caso BES.
A procura urgente de solução para a questão dos lesados do Banif reúne um consenso muito alargado de vontades partidárias, com várias resoluções aprovadas por unanimidade tanto na Assembleia da República como nos parlamentos regionais dos Açores e Madeira e, entre muitos outros exemplos, a publicação, igualmente recente, de um artigo de opinião do deputado socialista Miguel Iglésias no mesmo sentido.
Ao contrário do BES, o Banif era, na altura da resoluçao, um banco em que o Estado detinha a maioria do capital e que os lesados em causa foram, na sua esmagadora maioria, fraudulentamente convencidos a transformarem os seus depósitos à ordem, com poupanças muitas vezes de uma vida, em obrigações subordinadas que depois ficaram no “banco mau”.
 
Os lesados do Banif espalham-se quase exclusivamente pela Madeira (ex-sede do Banif), Açores, continente e comunidades emigrantes da África do Sul, Venezuela e Costa Leste dos EUA.

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