Revolução dos Cravos “deu uma nova vida a Machico”

Machico assinalou os 46 anos do 25 de abril de 1974, dentro dos condicionalismos impostos pelas medidas de contenção da Covid-19, numa ação conjunta da Câmara Municipal de Machico, da Junta de Freguesia de Machico e do Grupo de Cidadãos por “Machico, Terra d´Abril” – na qualidade de habituais promotores do 25 de Abril em Machico

Nesta manhã do dia 25 de abril, as comemorações da Revolução dos Cravos foram assinaladas com o hastear simbólico das bandeiras nos Paços do Concelho, onde foram afixadas duas tarjas a evocar esta data histórica. Também, como em anos anteriores, a Autarquia procedeu a colocação de um letreiro luminoso, na encosta junto à praia da Banda D’Além (praia de areia).

As entidades organizadoras “renovam o seu agradecimento aos militares pela autoria da revolução, evocam a resistência de todos os que lutaram pela liberdade e pela democracia, enaltecem o papel destacado de Machico na propagação dos ideias de Abril e transmitem uma mensagem de esperança para que, com mais segurança e saúde, brevemente, voltemo-nos a reunir no Largo da Vila de Machico, para comemorarmos, fraternalmente, um 25 de Abril mais saudável”.

Referem que “a Revolução dos Cravos foi decisiva para mudar Portugal e a Madeira. Mas, também, foi importante para dar uma nova vida a Machico, lugar que foi um dos pioneiros no contagiar dos ideais do Movimento dos Capitães, tendo, por isso, conquistado o epíteto de “Terra de Abril”. Neste ano, o COVID-19 atingiu a Humanidade. Devido ao estado de emergência, não será possível fazer a comemoração desta efeméride, como nos anos anteriores, com a reunião de pessoas e festejos públicos. Mesmo assim, cada um de nós pode e deve celebrar o 25 de Abril, porque ele está não apenas no material e no presencial, mas sobretudo no espírito de cada português, madeirense e machiquense. Em 2020, fiquemos livremente “presos” nas nossas casas, para podermos alcançar, o mais rapidamente possível, toda a nossa liberdade, com plena saúde”.

Numa nota sobre as comemorações no concelho de Machico, é referiodo que “apesar destas limitações, o 25 de Abril não desaparece, ele está activo. Sentimos, nesta calamidade, na prática e no dia-a-dia, nomeadamente em Machico, os valores da solidariedade e da fraternidade que a Revolução dos Cravos nos trouxe. Assistimos ao apoio aos mais desfavorecidos, da parte de muitas instituições, como a Câmara Municipal e as Juntas de Freguesia do concelho, com o fornecimento de alimentos e medicamentos às famílias carenciadas e aos idosos sozinhos e debilitados, de refeições e fotocópias aos estudantes mais necessitados e de outros auxílios sociais. Isto também é a chama de Abril”.

“Convençamo-nos que o COVID-19 não vai matar o 25 de Abril. Lembremo-nos que, ao longo da História, houve várias crises económicas e sanitárias que fizeram morrer milhões, mas não destruíram a Humanidade, nem os seus princípios orientadores. Como exemplos, a cólera (1817) não anulou o lema da Revolução Francesa (1789), “Liberté, Egalité e Fraternité”, nem a pneumónica ou gripe espanhola (1918) – que provocou cerca de 50 a 70 mil mortos em Portugal – demoliu os ideais da República (1910). Nenhum vírus arruína o sentimento do ser humano, pois, como canta Manuel Freire, “não há machado que corte a raiz ao pensamento […] porque é livre como o vento” (poema de Carlos Oliveira). Portanto, o 25 de Abril continuará. Saibamos nós, cada um de nós, junto dos nossos e em cada uma das nossas casas, cultivar e divulgar a sua história e o seu património”.