Empresários do turismo apreensivos com a praticabilidade da estratégia “Covid-Safe” de Eduardo Jesus; admitem despedimentos no sector

As medidas preconizadas pelo secretário regional do Turismo e Cultura quanto à reabertura da actividade turística na Madeira, sob a designação “Covid Safe Tourism”, suscitam muitas dúvidas nos empresários do sector. Na actividade hoteleira as ideias de “distanciamento social, utilização de equipamentos de protecção individual e segurança sanitária, pontos que têm que estar presentes e ser respeitados em todos os momentos de uma viagem”, conforme descrito nas palavras de Eduardo Jesus, podem ainda ser mais ou menos implementadas, segundo nos refere quem trabalha no ramo. Mas, para vários empresários de outras actividades ligadas ao turismo, a praticabilidade das medidas anunciadas por Eduardo Jesus já se torna muito questionável.

O FN falou com empresários ligados a actividades marítimo-turísticas, guias de montanha e de excursões pelas serras da Madeira, entre outros. Alguns dão a cara pelas suas declarações, outros preferiram não o fazer. Comum a todos é o extremo cepticismo pela aplicação na prática das intenções anunciadas pelo governante com a pasta do Turismo. O Governo Regional está a estudar as possibilidades da abertura da economia, que assenta fortemente, na Região, no turismo. O mesmo está  a fazer a câmara de comércio e indústria madeirense, a ACIF. Num relatório desta última entidade ao qual tivemos acesso, são enumeradas várias propostas e coligidas várias opiniões. Todos entendem que, num momento o mais próximo e o mais seguro possível, é necessário relançar a economia. Mas, entre os empresários por nós contactados, não falta quem veja como “pomposas” e “pouco realistas” as designações escolhidas para tentar relançar a imagem da Madeira nos mercados internacionais. “Covid-Safe Tourism” foi a escolhida por Eduardo Jesus, “Covid-19 Highly Contained Zone” foi a avançada pela ACIF. E não há como mascarar: há mesmo empresas que vão ter de fechar, e outras que terão de despedir pessoas.

Pedro Mendes Gomes

Pedro Mendes Gomes, empresário das actividades marítimo-turísticas, da conhecida empresa “Rota dos Cetáceos”, entende que, antes de reabrir a actividade turística na Região, “temos que ter um pouco de calma”. Conforme diz, é necessário perceber, primeiro, os mercados emissores com quem a Madeira trabalha, se os operadores estão sensíveis às novas regras, se transportarão os passageiros nos aviões com a lotação máxima, se com meia lotação, e quais são os planos e as regras da Direcção Geral de Saúde, antes de abrirmos qualquer coisa aqui na Madeira”.

Abrir de novo o turismo sem um número suficiente de turistas “criaria mais uma crise, porque as empresas abertas ainda podem ter mais custos do que as empresas fechadas”. Ora, andar com lotações condicionadas, por exemplo a 70%, implicaria ainda mais despesas para as empresas, ao mesmo tempo que estas registariam rentabilidade reduzida ou quase nula.

O nosso interlocutor assume que o distanciamento social será uma realidade do futuro com que todos teremos de aprender a trabalhar. Mas admite que é mais fácil pô-lo em prática nos hotéis do que na actividade a que se dedica, ou nos passeios pela serra, ou no “canyoning” ou em qualquer outra actividade que implique o transporte de visitantes nacionais ou estrangeiros pela ilha.

O que Pedro Mendes Gomes entende como praticável é que os turistas que venham para a Madeira já o façam com algum tipo de atestado ou justificação médica que assuma que não são Covid-positivos, efectuando, à chegada ao aeroporto da Madeira, controle de temperatura. “Mas, se estiver OK, vamos ter que deixar o cliente em liberdade”, aponta. Controles de temperatura diários, como é sugerido no documento da ACIF intitulado “Reabertura da  Atividade Económica Após o Estado de Emergência Covid-19- Contributos da ACIF-CCIM” talvez sejam possíveis nos hotéis, se os turistas estiverem dispostos a sujeitar-se a esse tipo de controlo, o que não é garantido. Da sua parte, admite medidas que permitam algum distanciamento, como evitar que se acumule muita gente no molhe ao mesmo tempo, mas já não equaciona com bons olhos uma lotação limitada para os barcos.

Aplicabilidade de distanciamento é muito difícil

Admitindo o outro lado da moeda, ou seja, que da parte de quem trabalha há um contacto muito próximo com os clientes e também um pouco de receio, sendo realmente necessário implementar cuidados, Pedro Mendes Gomes assume que é “complicado” em todas as actividades que envolvam transportes, aplicar o desejado distanciamento social. “Nos barcos é complicado, nos transportes é complicado… Em todas as actividades em que haja transporte terrestre ou marítimo, é complicado. Basta olhar para os autocarros. Um autocarro que leva 50 passageiros e tenha que reduzir, por exemplo, para 70%, o mesmo percurso ao mesmo custo, não terá rentabilidade. É como as nossas viagens. Nós, com 70 por cento de capacidade, também não vamos ter rentabilidade. Além do mais não podemos subir agora os preços, temos de manter os mesmos preços de anos anteriores. Se tivermos quase apenas metade da capacidade, o prejuízo será ainda maior. Não faz sentido”, opina. Na sua perspectiva, nas viagens pela ilha ou nos barcos, não se deve praticar o mesmo distanciamento social que nos outros espaços. Por razões de rentabilidade, principalmente, mas também de praticabilidade.

Mendes Gomes cita outros exemplos: “Uma carrinha que vá fazer passeios para a serra, ou para o “canyoning”, e que o mínimo seja oito pessoas para ter rentabilidade, e tenha que levar apenas quatro ou cinco, com os mesmos custos, não terá rentabilidade. Ou vai diminuir os seus serviços, ou vai ter que comprar uma carrinha extra [aquelas que tiverem empregados suficientes para a conduzir], o que se traduziria em mais um investimento do empresário, o que nesta altura é muito complicado. Teremos que reduzir nos nossos empregados, reduzir o número de empregos”, constata. “Teremos de reduzir muitas coisas. Por isso é que eu estava a dizer, isto não é abrir só por abrir”. Há que fazer todo um trabalho de estudo antecipado sobre as capacidades e aplicabilidades nos “outdoors” e “indoors”.

Enquanto já se admite abrir em Junho a actividade, o nosso entrevistado acredita que só lá para Setembro ou Outubro é que os operadores realmente se empenhem em trazer turistas à ilha. Abrir antes seria “correr riscos”, “abrir actividades que nem turistas vão ter”, e que teriam muitas despesas só para se manterem abertas.

O empresário da “Rota dos Cetáceos” entende que o sector turístico deveria merecer do Estado outras regalias, dado que é um dos sectores mais primordiais e mais afectados, o que demorará mais tempo para alcançar a retoma económica.

“Sou uma pessoa positiva, mas gosto de ver a realidade das coisas”, diz Pedro Mendes Gomes. Que não tem dúvidas em admitir que sabe “que muitas empresas vão ter que fechar, mandando muita gente para o desemprego”.

As empresas do sector turístico, aponta por outro lado, devem usufruir dos mesmos apoios que os hoteleiros. Também estão a ter sérios prejuízos, e empregam muita gente. “Há micro-empresas com 5, 6 ou 7 trabalhadores, mas há também empresas do sector turístico com 12 a 15 trabalhadores”. Os hoteleiros já fizeram valer as suas pretensões ao Governo em matéria de apoios; Mendes Gomes entende que empresas como a sua também devem beneficiar deles.

“Fechar portas e despedir muita gente”

Tendo encerrado as portas já em meados de Março, até agora a empresa “Rota dos Cetáceos” só tem custos. “Ainda não tivemos nada de concreto, das linhas de apoio todas que vieram. E temos pago tudo, os funcionários, a Segurança Social, as contas normais de uma empresa. Tem sido muito mau. Vínhamos de um impacto grande, e entrámos numa outra fase, bem mais grave”, constata. “Ouço muitos colegas meus a dizer que vão ter de encerrar portas, e despedir muita gente. E este sector é muito importante para a Região. É assustador”, aponta.

Ludovic Gonçalves

Por seu turno, Ludovic Gonçalves, guia de montanha e proprietário de uma agência de viagens virada para turistas franceses ou francófonos, também vê com cepticismo a estratégia “Covid-Safe”, nos moldes em que foi, até à data, apresentada pelo secretário do Turismo. Desenvolvendo simultaneamente caminhadas pela ilha e percursos gastronómicos locais, Ludovic vê com bons olhos que as autoridades estejam a tentar semear ideias construtivas para retomar actividade económica.

Porém, entende que tem de haver determinados critérios. O Governo Regional pretende, e bem, que os turistas que se deslocam para a RAM não estejam infectados com o Covid-19. Mas contrapõe que, se a RAM quer argumentar perante os mercados internacionais que é um destino Covid-seguro, então, deveria realizar muito mais testes de Covid-19 à população do que vem fazendo.

“O turista quer, com certeza, afinar pelo mesmo critério, ou seja: vamos à Madeira, será que lá os habitantes estão “limpos” do Covid-19? Eu lamento ver que não se aproveita o presente isolamento social para realizar mais testes à população. Tanto quem está de boa saúde como quem está doente está, presentemente, isolado. Faria sentido testar uns e outros”, defende Ludovic. “Lamento o facto de não se estarem a fazer mais testes”.

No que toca aos pontos sobre os quais assenta a estratégia do “Covid-Safe Tourism”, Ludovic Gonçalves afina pelo mesmo diapasão de Pedro Mendes Gomes e dos outros empresários que ouvimos: “É complicado pôr em prática o distanciamento social pretendido. Imaginemos que tenho um grupo de vinte pessoas. Se tenho de manter um metro e meio de distância entre eles, vai-me dar um círculo enorme, entre o primeiro que está à frente e o último que está atrás. É tudo muito difícil de realizar. Como comunicarei com essa gente, se eu próprio tenho uma máscara? Terei de falar de megafone? A situação é caricata”, constata.

Por outro lado, “nos meus programas, temos obviamente a parte do alojamento… Não sei como poderia ser… E quando vou levar os clientes ao restaurante, vou sentá-los um em cada mesa, a um metro e meio de distância? E depois, eu tenho uma carrinha de nove lugares. Como transportar apenas uma pessoa por fila? Vou ficar limitado a um grupo de 3 pessoas? Com esses números não há rentabilidade, é melhor não trabalhar, senão estou a perder dinheiro”.

Para o nosso interlocutor, há aqui um conflito óbvio entre os seus interesses, os dos clientes e dos parceiros com quem trabalha, como hotéis e restaurantes, e a necessidade de manter determinadas regras de sanidade. “Parece-me muito difícil aplicar essas medidas, e ao mesmo tempo ter rentabilidade. Muito difícil ou praticamente impossível”.

O ideal, como defende Mendes Gomes, é para Ludovic Gonçalves testar os turistas à partida e à chegada, mas também testar muito mais a população madeirense, detectando eventuais casos de Covid-19 dos quais ainda não temos conhecimento, “tratá-los, porque podem ser tratados, e ter a noção de que podemos então e só assim lançar para fora uma mensagem forte e clara de que a Madeira é um destino “limpo”.

Dependendo da actividade que as companhias aéreas vão desenvolver, seria então possível retomar a actividade.

Entretanto, determinadas medidas como uma taxa suplementar prevista nas sugestões da ACIF, nomeadamente uma taxa Covid-19 de 25 euros por pessoa para fazer face aos custos de testes massivos aos turistas à chegada à Madeira, para cobrir o custo de aquisição dos kits de testes e outros, são muito mal vistas pelos nossos interlocutores. “Seria mais uma taxa”, lamenta Pedro Mendes Gomes, que discorda liminarmente da mesma. O mesmo acontece com Ludovic Gonçalves e com os outros empresários com quem falámos, e que preferiram não ser identificados.

Veja abaixo, na íntegra, o conteúdo das propostas da ACIF para a retoma da actividade no sector turístico, bem como as dúvidas expressas pelos próprios profissionais do sector já plasmadas neste relatório:

—-

Reabertura da  Atividade Económica

Após o Estado de Emergência Covid-19

 

Contributos da ACIF-CCIM

 

Enquadramento Geral

Na fase de retoma da atividade económica, a Madeira deverá posicionar-se como um dos destinos mais seguros da Europa, durante o período que teremos de conviver com o novo coronavírus, sem uma vacina que previna a Covid-19 (12 a 18 meses).

Podendo ser arriscado promover o Arquipélago como “COVID-19 FREE ZONE”, a ACIF-CCIM é da opinião que se deve apostar no posicionamento “COVID-19 HIGHLY CONTAINED ZONE”

Para o efeito, há-que garantir e promover a segurança dos residentes, bem como dos turistas, durante toda a sua experiência ou “customer journey”.

Devemos ir ao encontro dos maiores players/operadores/companhias aéreas e propor que, na sua reabertura ao mercado, tenham uma estratégia de segurança COVID-19, fazendo ranking dos destinos em função de:

  • º de casos positivos/milhão de habitantes;
  • º de mortes/milhão de habitantes;
  • Controlo de fronteiras à entrada do território (alto/médio/baixo);
  • Controlo durante a estada no território (alto/médio/baixo);
  • Nível das condições gerais de saúde sanitária no território (alto/médio baixo);
  • Qualidade/capacidade de resposta do sistema de saúde (alta/média/ baixa);
  • Comportamento e compromisso com as regras por parte dos residentes (alto/médio/baixo).

Estamos convictos a Madeira se pode destacar nestes aspetos, relativamente aos nossos destinos concorrentes.

Impera explorar a nossa condição de ilha e a capacidade de controlo de “borders”.

Esta estratégia implica comprometer os operadores e as companhias aéreas com as regras e pré-requisitos de controlo, exigidos antes do início da viagem (conforme abaixo definido). De igual modo, pressupõe que promovam a Madeira como destino seguro para viagens, junto das autoridades dos mercados emissores.

Apostar inicialmente em mercados emissores afetados, e consequentemente, à partida, com maior percentagem de população imune, poderá ser uma boa estratégia, preferencialmente que conheçam bem a Madeira ou sejam de proximidade. Obviamente, esta estratégia só poderá ser concretizada após o pico da pandemia nesses mercados emissores, estando a situação controlada e reaberta a sua atividade interna. Referimo-nos, nomeadamente, aos seguintes mercados:

  1. Portugal Continental;
  2. Reino Unido;
  3. Alemanha;
  4. França;

No presente documento, apresentamos as propostas em 4 vertentes:

  1. Controlo das acessibilidades;
  2. Monitorização durante a estada;
  3. Condições de segurança sanitária;
  4. Reabertura coordenada da oferta.

 

  1. Controlo das acessibilidades

 

  • Numa primeira fase, permitir apenas entrada por via aérea , ou seja ponto-a-ponto com apenas um ponto de entrada (aeroporto);

 

  • Deixar os cruzeiros para uma segunda fase, quando os portos das rotas por onde passam estiverem todos com procedimentos seguros e a pandemia controlada;

 

  • Pré-requisitos para viajar para a Madeira:

 

  1. Exigir sempre controlo à saída da origem, nomeadamente teste à COVID-19 (a analisar com a Autoridade de Saúde);
  2. Fazer registo na aplicação_Madeira_COVID com captura Fotografia e/ou identificação pessoal;

 

  • Double-Check à chegada:

 

  1. Teste à Covid-19 abaixo (a analisar com a Autoridade de Saúde);
  2. Túnel ou medição manual de temperaturas no aeroporto;
  3. Obrigatoriedade de registo na aplicação APP_MADEIRA_COVID, com autorização para utilização dos dados de identificação para combate à COVID-19 durante a estada;
  4. Questionário de despiste, que poderá ser preenchido na APP_MADEIRA_COVID, inclusivamente durante a viagem. No questionário deverá informar onde reside, por onde viajou nas últimas 2 semanas, se esteve em contacto com alguém infetado e onde se vai hospedar

Nota: Para fazer face aos custos dos testes massivos à chegada à Madeira, podemos equacionar a implementação de uma taxa COVID-19 (por exemplo 25 euros/pax, para cobrir o custo de aquisição dos kits de testes e outros).

 

  1. Monitorização durante a estada

 

  1. Registo diário da temperatura e de outras informações relevantes na aplicação APP_COVID_19 (a analisar com a Autoridade de Saúde o que deve ser registado);
  2. Monitorização do estado do indivíduo através da aplicação APP_COVID_19, com a atribuição de cores (verde – pode circular sem restrições; amarelo – deve manter-se no hotel e pedir para ser contactado pelas autoridades de saúde; vermelho – deve ficar em isolamento no seu alojamento, até contactado pelas autoridades de saúde);
  3. Monitorização dos fluxos de movimentos e possíveis contactos, através da aplicação. Em caso de se tornar suspeito, faz o rastreio de imediato;
  4. Indicação, através da aplicação, em tempo real dos fluxos globais e locais a evitar, de modo a manter a distância social recomendada;
  5. Informação na aplicação sobre as boas práticas e regras a cumprir no destino, relativas à prevenção da COVID-19 (incluindo as regras a observar nos hotéis, restaurantes, actividades de animação turística, etc.);
  6. Contacto telefónico na aplicação, para denúncia de eventuais incumprimentos e não conformidades por parte de prestadores serviços;
  7. Cumprimento, por parte da APP_COVID_19, dos protocolos europeus do “CORONA APP”, que estão a ser desenvolvidos, quer pela União Europeia, quer pela Pan-European Privacy-Preserving Proximity Tracing (https://www.pepp-pt.org/);
  8. Possibilidade de estender a APP_COVID_19 (ou outra aplicação alternativa) aos colaboradores do setor Turismo, e no limite a toda a população residente.

Nota: A ACIF-CCIM disponibiliza-se para coordenar, com o seu cluster de empresas tecnológicas e institutos de I&D, o rápido desenvolvimento de solução tecnológica para a “APP_Madeira_Covid 19 “.

 

  1. Condições de segurança sanitária

 

  1. Propomos que as Mesas da ACIF-CCIM em conjunto com o IA Saúde, criem para cada secção do Turismo (Hotelaria, Alojamento Local, Animação Turística, Similares de Hotelaria e Rent-a-Car) protocolos de regras e comportamentos, a ser respeitados por todos;
  2. Com base nos referidos protocolos, propomos criar uma certificação “COVID-19 Contained”.

Exemplos de Regras e Boas Práticas:

– O estabelecimento de guidelines, com comportamentos mínimos, que vão para além da hotelaria, é absolutamente vital. Desde a entrada no destino até aos fornecedores e à forma como entregam a mercadoria, passando pela utilização dos transportes colectivos.

– A utilização, por exemplo, de máscaras e luvas por parte de todos os colaboradores poderá ser pacífico, apesar dos custos acrescidos, assim como o condicionamento na utilização de espaços públicos, limitando-os a um número máximo de utilizadores em simultâneo.

– Distribuição de mascaras e luvas aos clientes.

– Nas piscinas, garantir procedimentos para que, após cada utilização de espreguiçadeiras, estas sejam desinfetadas,

– No Spas, jacuzzis, saunas e ginásios, criar protocolos rígidos de segurança sanitária, ou, se necessário, mantê-los encerrados.

-Assegurar que tudo o que é utilizado é imediatamente desinfectado.

– Nas refeições, deixar de ter talheres de servir nos buffets, passando a coloca-los nas mesas, ou, alternativamente, manter os buffets com empregados a servir, não permitindo que os clientes se sirvam diretamente).

– Quer nas zonas de serviço (para os colaboradores), quer nas zonas públicas, ter desinfetantes ao dispor, para incentivar a sua utilização.

– Registar a limpeza de elevadores, corrimãos e até mesmo dos livros ao dispor nos espaços públicos. Assegurar, de igual forma, a limpeza das maçanetas das portas e janelas.

– Manter distância social nos transportes, refeições, atividades de animação turística, entre outros.

 

– Elaborar e garantir da entrega do manual de boas práticas aos colaboradores e clientes.

 

  1. Apenas permitir a abertura ao público, dos estabelecimentos que declarem respeitar as práticas exigidas pela certificação;

 

  1. Realização de auditorias aleatórias ou a pedido, para controlo e/ou atribuição da designação de “estabelecimento certificado”;

 

  1. Outros requisitos sanitários, a determinar por autoridades de saúde, entre os quais:

 

– Uso de máscara obrigatório nos transportes, supermercados e demais espaços públicos.

– Projeção dos eventos da Madeira (Festa da Flor, Fim do Ano, arraiais, etc.), respeitando uma nova abordagem ao “socializing” e à “social distancing“, definindo parâmetros para conjugar estas duas vertentes.

 

  1. Paralelamente deve-se garantir um forte comunicação através de flyers, banners  ou leaflets  (eletrónicos e outros) que, numa estratégia de marketing psicológico do destino Madeira (COVID19 Highly Contained Zone), deixem aos potenciais turistas que nos queiram visitar uma ideia forte sobre  o cumprimento rígido de regras de controlo que começam logo quando tentam comprar o seu package na agência ou no site da sua companhia aérea e ainda nos sites dos estabelecimentos turísticos (unidades hoteleiras, ALs etc). Através desta comunicação devem ser alertados/confrontados repetidamente com anúncios sobre como deverão proceder, para que tomem desde cedo a consciência que o grau de exigência estipulado também é um adicional de segurança para ele/ela.

 

  1. Reabertura coordenada da oferta

Apesar de fazer sentido, e poder até ser uma grande oportunidade de reposicionamento ordenado do preço do destino, não é uma medida pacífica.

Como tal, deixamos a título informativo alguns comentários de associados sobre o tema:

“Tenho as minhas dúvidas sobre este tema porque vai ser muito difícil encontrar consenso. Mesmo assim lanço umas ideias ou parâmetros de escolha:

  1. A) Só abre quem já tem 50% de reservas nos livros. O resto vai ter o apoio de Estado a fundo perdido para pagar os layoffs, outros custos operacionais (tudo antes do GOP).
  2. B) Podem abrir aqueles que tenham o Ratio acima da média da Madeira de “colaboradores por quarto”.
  3. C) Abrir todos os hotéis e proibir de baixar os preços de venda por baixo do limite Break-Even (ou ex. 30% dos acordos assinados com os TOs) das unidades. Assim não se estraga os preços a médio-prazo… tema muito difícil!”.

“Aqui é que eu acho que a porca torce o rabo… Ninguém quer morrer da cura, evidentemente mas temo que se esteja a chegar à conclusão de que não existem meios disponíveis para manter a economia sem funcionar e, permitindo a abertura, quem tem de levar com os tais 10% ou 20% de ocupação somos nós. É o mercado a funcionar, certo?“.

“A abrir, têm de abrir todos, mesmo que condicionados a uma determinada ocupação máxima, apesar de tudo e apesar de ciente dos riscos que isso acarreta. E cuidado com acções concertadas, certo? Ainda para mais, não penso que possamos em momento nenhum assegurar que somos uma covid free zone… Quando muito, covi contained zone, se tudo continuar a correr bem…”.

“Abertura “ ordenada” seria bom tendo em conta a abertura dos mercados e a capacidade da aviação de trazer clientes para a Ilha mas creio que qualquer um não vai ficar  contente por aquele abrir e  porque não o meu!!!! Complicado. Aquilo que se pode fazer eventualmente é criar um calendário de abertura onde cada Hotel informa dentro de qual delas se quer posicionar para abrir com informação atempada aos operadores e assim cada um podia preparar a sua abertura de uma forma ordenada. Não sei mesmo se todos iriam respeitar????”.

 

“ Provavelmente elaborar um inquérito, quem quer ou arisca se de abrir primeiro e provavelmente perder a continuação de um subsídio? Fazer um concurso, quem quer abrir e um sorteio? Para obter todas as categorias,? Concelhos limitados? Provavelmente AL não é possível de controlar e limitar! Escolha de empresas de animação? Lista de actividades possíveis na Madeira, passeios etc.”.

 

“Muito complicado, pode ser atribuído um imposto especial que serve para o subsídio dos outros? Mas atenção, os primeiros vão ter problemas no início com as ocupações! Tem de ser alinhado de um número da ocupação, por exemplo partindo dos 65 % ?? “.

“Relativamente à abertura “ordenada” da oferta, parece-nos francamente difícil, se não impossível, o conceito de abertura concertada com distribuição posterior dos benefícios. Isso não quer dizer que se abram todas as unidades ao mesmo tempo. No caso de Grupos Hoteleiros parece-nos claro que farão a gestão da abertura das suas unidades à medida que assim se justifique. No caso de unidades individuais terão de manter o ajustamento já efetuado do lado das despesas e adaptar a sua operação ao nível de ocupação apresentado, nomeadamente pelo uso parcial da infraestrutura, por ala ou por piso e ajustando os serviços a disponibilizar a clientes. Claro que estas ações podem não ser suficientes para viabilizar o negócio pelo que se poderia começar desde já a delinear um programa de suporte para estas situações, acreditamos que seja mais por este lado.”.

“No que toca Abertura “ordenada” tenho as minhas dúvidas pois qual vai ser o critério para essa abertura Ordenada e Espaçada, acho que não será justo, que um podem recomeçar a Actividade e outros não, penso que sim  e á luz do tal Plano de Políticas Públicas de Saúde, delimitar, regular as cargas nos diferentes setores, aqui sim beneficiar quem tem Mais espaços, quer Jardins, Piscinas Exteriores, Varandas nos Quartos dos Hotéis, Beneficiar os Jardins Públicos Privados, evitar concentrações grandes nos Museus Igrejas ou outros monumentos.

Importante seria controlar/delimitar  o nº navios ou nº de passageiros atracados no Porto do Funchal, (delimitar o nº de Navios de Grande Porte max 1 ou então a navios de Pequeno Porte ate um nº máximo de Passageiros.”

 

Notas finais

Para terminar deixamos, a título informativo, alguns outros comentários gerais de associados para reflexão:

“-promover a situação atual da Madeira neste momento, que comparada aos outros destinos tem números muito inferiores, quase nulos (temos um excelente embaixador, que se refugiou na Madeira: CR7 )”.

“- Definir uma estratégia de condições de reserva, tentando eliminar custos cancelamento/alteração viagens e estadias para destino”.

“- …os túneis de desinfecção e monitorização de temperatura que os chineses colocaram, por exemplo à entrada dos metros e afins, poderia criar uma sensação de segurança grande, sim, aliado ao tal facto da porta de entrada única”.

“-…não sei se não é mais benéfico, na lógica da imagem de segurança, se estendermos o fecho por mais tempo do que outros o vão fazer. “.

“- Do lado da procura, se conseguimos reabrir com o “tchanan” é que era… Qual seria esse “tchanan”? Claramente, nesta altura mais do que, a entrada da Ryannair no mercado… Fica o desafio…”.

“- No início Porto Santo podia ser um destino exclusivo este verão só para madeirenses, para diminuir risco, ter máximo de segurança e mexer economia do Porto Santo”.

“… temos de ser capazes de proporcionar esse ambiente “healthy” e seguro de uma forma simples e descomplicada.

Seguindo os pontos já identificados para reflexão:

Controlo apertado na entrada do aeroporto – transmitirá um sentimento de segurança imediato ao turista na fase em que melhor aceitará a “burocracia”. O ideal seria certamente o teste rápido, mas só funcionaria se o resultado fosse imediato. Não sendo possível penso que a melhor forma seria a obrigatoriedade da apresentação de um atestado individual com resultado negativos ao COVID-19 e com data inferior a 3 dias;

Deverá também nesta fase responder ao questionário informando onde reside, por onde viajou nas últimas 2 semanas, se esteve em contacto com alguém infetado e onde se vai hospedar;

Os hotéis e similares deveriam manter os seus planos de ação preventiva, nomeadamente, informação visível sobre os cuidados de higienização, desinfetante nas áreas sociais, manutenção do distanciamento de mesas e mobiliário mediante diminuição das capacidades dos outlets, contacto Saude24 caso sinta algum sintoma, etc. Estamos a falar de ações simples, eficazes, que os clientes entendem sem lhes criar um sentimento de incómodo ou controlo desnecessário;

Deverão igualmente ter o seu plano de contingência ativo mas em “back-office”, existência de equipamentos de proteção individual, manutenção da sala de contenção, definição de equipa de intervenção, etc. Estas ações não seriam visíveis ao cliente, não interferindo por isso na sua experiencia;

O Serviço Regional de Saúde e Proteção Civil deverá manter a sua capacidade de resposta e de comunicação;

A manutenção de qualquer interferência que limite os horários, mobilidade e raio de ação dos clientes enquadra-se num panorama como o atual e não para o relançamento de um destino turístico;”.


Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.