Combate à COVID-19 em Portugal entra na fase de “mitigação”

Portugal entra, neste 26 de março, numa nova fase do combate à COVID-19, a fase de mitigação. Na prática, as respostas serão mais alargadas e 80 por cento dos infetados serão acompanhados em casa, nos centros de saúde quando os casos registarem alguma gravidade, sendo que só nos casos considerados críticos, cerca de 5 por cento, é que serão internados na rede geral de hospitais.

Um dia antes de entrar nesta fase, Portugal registou 43 mortos e 2995 casos confirmados de infeção. Estão 276 internados e destes, existem 61 nos cuidados intensivos. Um cenário que evidencia a tendência de subida, já prevista, dos casos de infeção e das vítimas mortais, no fundo de todos os indicadores.

Uma norma que entra em vigor à meia noite, prende-se com o estabelecimento de uma cadeia de prioridades para o caso de não ser possível fazer o teste a todos. Os doentes a internar, os recém nascidos, grávidas, profissionais de saúde sintomáticos são prioritários.

Quais são os casos considerados suspeitos

No conjunto seguinte, estão os doentes com “comorbilidades, nomeadamente com DPOC, asma, insuficiência cardíaca, diabetes, doença hepática crónica, doença renal crónica, neoplasia maligna ativa, ou estados de imunossupressão; Doentes em situações de maior vulnerabilidade, tais como residência em lares e unidades de convalescença; Doentes com contacto próximo com pessoas com as comorbilidades identificadas acima”.

Todas as pessoas que desenvolvam quadro respiratório agudo de tosse (persistente ou agravamento de tosse habitual), ou febre (temperatura ≥ 38.0ºC), ou dispneia / dificuldade respiratória, são considerados suspeitos de COVID-19 e ligam para a Linha SNS24 (808 24 24 24).

Segundo aponta a DGS, “para a gestão de doentes em autocuidados e ambulatório é implementada a plataforma “Trace-COVID” (https://tracecovid19.min-saude.pt/), uma ferramenta de suporte aos profissionais de saúde dos Cuidados de Saúde Primários e às Equipas de Saúde Pública e Autoridades de Saúde, para que, através de um conjunto de tarefas geradas pelo sistema, implementem o seguimento clínico efetivo e as medidas de Saúde Pública adequadas a doentes com suspeita ou confirmação de COVID-19.

Os doentes com indicação para autocuidados: Permanecem em isolamento no domicílio3 , em cumprimento estrito das indicações da DGS, em vigor; São avaliados e monitorizados telefonicamente pela equipa de saúde USF / UCSP.

 

Teste laboratorial em regime ambulatório

São submetidos a teste laboratorial para SARS-CoV-2, em regime de ambulatório. São informados sobre o resultado do teste laboratorial e das recomendações a seguir de acordo com os resultados.

“Os doentes em isolamento e vigilância no domicílio: i. Respeitam todas as recomendações das equipas de saúde. Após a receção do SMS com a requisição do teste laboratorial contactam um local de colheita autorizado de modo a proceder à realização do mesmo.

As equipas de Saúde Pública/Autoridades de Saúde garantem a:

Realização do inquérito epidemiológico, rastreio de contactos, e a implementação das medidas de Saúde Pública adequadas, com recurso ao “Trace-COVID”.

Os doentes que não cumpram as condições de habitabilidade e exequibilidade do isolamento no domicílio, e para os quais não exista uma alternativa definida a nível regional ou local, são encaminhados pela Linha SNS24 para a Área Dedicada COVID-19 de um Serviço de Urgência (ADC-SU) em ambulância, caso não possam utilizar veículo próprio”.

Uma das referências da DGS sublinha que “os Conselhos de Administração dos Centros Hospitalares e Hospitais (CHH) e das Unidades Locais de Saúde (ULS), devem garantir a criação de uma Área Dedicada COVID-19 (ADC-SU) em cada Serviço de Urgência de cada unidade hospitalar, de acordo com as condições descritas no Anexo 5, e de enfermarias dedicadas ao tratamento de doentes com COVID-196 .

Nos hospitais com serviços de pediatria, poderá ser adequado, em função das condições regionais e locais, a reorganização dos serviços por forma a dedicar unidades hospitalares exclusivamente ao tratamento de doentes com COVID-19 em idade pediátrica, após ser esgotada a capacidade de resposta dos hospitais de referência identificados para o tratamento dos doentes COVID-19 em idade pediátrica”.

Doetes renais crónicos em hemodiálise

Relativamente aos doentes com doença renal crónica em hemodiálise, a Direção-Geral de Saúde emite indicações que “as Unidades de Hemodiálise devem elaborar um Plano de Contingência para a Pandemia COVID-19, de acordo com a presente Orientação e de acordo com o Plano Nacional de Preparação e Resposta à COVID-19.

As Unidades de Hemodiálise devem garantir:

A informação sobre etiqueta respiratória, higiene das mãos e outras precauções básicas de controlo de infeção (PBCI), de acordo com a Norma n.º 007/2019 da DGS, em vigor, a todos os profissionais de saúde, utentes e cuidadores;

Os doentes com Doença Renal Crónica constituem doentes de risco para as complicações de COVID-19. 19. Os doentes em hemodiálise com suspeita ou confirmação de infeção a SARS-CoV-2 devem ser avaliados em Áreas Dedicadas COVID-19 dos Serviços de Urgência.

O internamento hospitalar deve assegurar o programa de diálise, em isolamento, de acordo com o Plano de Contingência em vigor em cada unidade hospitalar.

Se for identificado um doente suspeito de COVID-19 numa Unidade Convencionada de Hemodiálise, deve-se:

– Utilizar o EPI; Encaminhar o doente para a área de isolamento definida para o efeito na Unidade de Hemodiálise, e transferir para a Área Dedicada COVID-19 de um Serviço de Urgência (ADC – SU), para internamento, em ambulância.

O tratamento de doentes agudos deve ser prioritariamente realizado em unidades hospitalares, podendo-se equacionar a alocação, temporária e excecionalmente, de doentes crónicos do programa hospitalar em Unidades Periféricas de Hemodiálise, tendo em vista o aumento da capacidade hospitalar”.