Viagem de finalistas com Corona? “Bora lá” porque quem manda nos pais é os filhos!

Falemos claro: neste momento em que o país está a adotar medidas coletivas de prevenção ao Corona vírus, não é aconselhável viajar, salvo situações muito excecionais. Quem o fizer, terá de assumir, formalmente, as suas responsabilidades junto das autoridades de saúde. Uma coisa é colocar a sua vida e família em risco, outra é envolver, negligentemente, terceiros.

Assim, não é preciso que surja um ou dez casos confirmados na Madeira de Corona para que se perceba que a situação é mundialmente séria, não alarmante, mas séria, e exige de todas as pessoas de bom senso as cautelas anunciadas. Acontece que, há muito tempo, grande parte das pessoas deixou de saber o que é o bom senso e o equilíbrio nas suas ações. Tudo é permitido para garantir o prazer individual. Consequentemente,  a linguagem dos sacrifícios em nome do bem coletivo é conversa da idade média ou de gente velha.

Olhemos para as escolas.  Face a um país, que é o nosso, que está a fechar escolas e universidades de norte a sul, em nome da prevenção dos contágios, há estudantes que já fizeram saber que vão mesmo realizar a viagem de finalistas, na Páscoa, a Punta Umbria (Espanha). Mais: os pais assinam por baixo. Outros pais, céticos, querem que as escolas assumam a proibição de um evento que nunca foi da responsabilidade da própria escola. Qual a razão que alegam para seguir viagem? Está tudo pago e não vão perder o dinheirinho. Perante este “non sense”, que fazem os pais? Assinam por baixo. E porquê? Porque há muito que são mandados, literalmente, pelos filhos, porque, ao longo de anos, se deixaram desautorizar na educação, na atenção, na formação, no ensino de regras de ética e de moralidade aos filhos. Qual o resultado? Tudo é possível a certos (já muitos jovens) e, quando se fala em regras, olham do alto das suas jovens mas sólidas cátedras e escarnecem, quando se fala de prevenção, dizem que isso é para velhos e, ante os riscos, “bora lá, tudo ao molhe” e logo se vê…

Neste universo de irresponsabilidade, há que salvaguardar algumas dezenas de finalistas, com responsabilidade na organização destas viagens, que não vão viajar. Por respeito para com a sua vida e a de terceiros. Valha-nos o bom senso daqueles que ainda fazem a diferença e atuam estribados em valores.

A todos os jovens que agem no impulso da juventude, ou então, reféns de verbas já dispendidas, aconselha-se o diálogo com os mais experientes. Que tal dialogar com os vários agentes ligados a esta viagem? Por que não adiar para outro período mais favorável? Por que não negociar eventuais indemnizações compensatórias dos valores dispendidos? Ninguém questiona a legitimidade de os finalistas fecharem o secundário com a realização de uma viagem, apesar de anualmente ser notícia pelas piores razões. Acontece que a conjuntura atual exige redobrados cuidados para eles e toda a população. Logo, vamos dialogar com quem de direito e tomar as decisões mais acertadas.

Aos que teimam em partir apenas “porque sim”, repito, para não perder o investimento feito e com o “colinho” dos papás, é caso para dizer: sigam, sejam felizes, na saúde e na doença, mas não tenham pressa de regressar e, se possível, prolonguem sine die a festa. No regresso, que garantias dão de segurança nos meios que vão frequentar?