Sem-abrigo estabeleceu “residência” na muralha da Fortaleza de São Filipe; moradores e comerciantes queixam-se de sujidade e perturbação

Com Rui Marote

É uma situação indicativa de exclusão social, eventualmente de auto-exclusão. Em todo o caso, é algo caricata, não concorre para a valorização do destino turístico e tem incomodado seriamente os residentes e comerciantes das redondezas. Um indivíduo sem-abrigo fez sua “casa” as traseiras da muralha da Fortaleza de São Filipe que, para preservação arqueológica e por consequência da junção artificial de duas ribeiras do Funchal, foi edificada em cima da ponte da Ribeira de Santa Luzia, logo acima da Praça da Autonomia.

Ali o dito indivíduo, que se faz acompanhar de canídeos, montou uma espécie de “acampamento” no qual reside, numa espécie de tenda, curiosamente do outro lado de um portão fechado a cadeado, mas que é tão baixo que qualquer um pode facilmente saltar por cima dele.

Embora não seja bonito, o “acampamento” até é mais ou menos discreto. Mas, ao contrário de outras “moradas” de sem-abrigo que dormem nas ruas da cidade, está montado em permanência. Moradores e comerciantes da área queixam-se de que a pessoa em questão urina e defeca nas imediações, o mesmo acontecendo com os cães que o acompanham, que ninguém fiscaliza (ao contrário do que a CMF faz com os animais do comum dos cidadãos pagadores de impostos) e que ladram até altas horas sem que ninguém ponha cobro à situação. Diz que ali mora e trabalha que a PSP já chegou a ser chamada, mas que se mostra incapaz de resolver o problema e que a Câmara do Funchal age à moda de “condomínio”, já que frequentemente procede à lavagem e limpeza das fezes e da urina que por ali são deixadas.

A população da área, indignada e embora sensível a situações de pobreza e exclusão, pede às entidades responsáveis a resolução desta situação.