Há mais crédito ao consumo e mais pedidos de ajuda também na Madeira, Banco de Portugal faz alertas e intermediação ganha espaço para resolver vários créditos

“Não há sempre solução, mas é possível resolver muitos dos problemas das pessoas, através de negociação, que normalmente resulta em reduções de 300 a 400 euros por mês”, diz André Freitas que gere a componente da intermediação de créditos.

Nem parece que saímos de uma crise profunda bem recentemente. Os portugueses, numa escala considerável, voltaram ao mercado de consumo, aos empréstimos. Andaram uns tempos em contenção, o medo era superior ao desejo, mas depois disso, a ideia que passou foi mesmo a de que, agora, podemos voltar às compras com dinheiro emprestado. E os níveis têm vindo por aí acima.

As instituições bancárias regressaram ao tempo das “mãos largas”, que é como quem diz ao crédito fácil sem grandes questões, os consumidores aproveitaram e o Banco de Portugal confirmou que, em 2018, “os volumes de novas operações de empréstimos para habitação, consumo e outros fins totalizaram 9,8 mil milhões, 4,7 mil milhões e 1,8 mil milhões de euros, respetivamente”. Os Bancos concederam, aproximadamente, 45 milhões de euros por dia. Os novos empréstimos a famílias envolveram, na totalidade, 16,3 mil milhões de euros em 2018, mais 1,85 mil milhões que em 2017.

Banco de Portugal alerta para opções de mercado

O Banco de Portugal já criou alguns mecanismos tendentes a retrair o mercado de consumo, aliando estas medidas a outras recomendações em matéria de crédito, designadamente no que diz respeito a algumas das opções de mercado, nem sempre com as melhores intenções. Refere o BdP que “estas propostas de empréstimo configuram, muito frequentemente, uma tentativa de obtenção de um benefício ilegítimo por entidades não autorizadas a conceder crédito, as quais, muitas vezes, de uma forma ardilosa e aproveitando-se da situação de especial necessidade das pessoas, têm como único objetivo a receção do pagamento do crédito concedido, acrescido de taxas de juro que chegam a ultrapassar 70%, ou a aquisição definitiva da propriedade dos bens móveis e imóveis, por um valor bastante inferior ao seu valor de mercado”.

A consolidação de créditos

“As pessoas que recorrem a estes serviços, além da perda, muitas vezes irrecuperável, das quantias entregues, a título de juros, a estas entidades, poderão ver-se privadas dos bens que deram como contrapartida do financiamento obtido e, no caso de entregarem cheques pré-datados, poderão ver-se obrigadas a negociar com o banco sacado acordos de pagamento para fazer face aos adiantamentos de valores feitos por estas instituições.”.

Alerta o Banco de Portugal que “muitas vezes, as pessoas que contratam este tipo de financiamentos têm de apresentar como garantia destas operações bens imóveis, ou móveis sujeitos a registo (como veículos automóveis), avaliados a um preço muito inferior ao praticado no mercado ou mesmo ao valor fiscal dos bens em causa. Nestes casos, é normal que o financiador prometa liquidez imediata desde que o cliente transfira a propriedade do imóvel para a entidade que vai conceder o crédito. É transmitido ao cliente que poderá continuar a habitar o imóvel em causa (muitas vezes, na qualidade de arrendatário) e manter a opção de recompra do mesmo após o pagamento do financiamento concedido e juros, no prazo previsto. No entanto, em caso de incumprimento das prestações mensais a que o cliente se obriga – muitas vezes sem possibilidade financeira de as cumprir –, a opção de recompra extingue-se e o cliente deixa de ter direito a recuperar ou a utilizar o imóvel”.

Os novos empréstimos a famílias envolveram, na totalidade, 16,3 mil milhões de euros em 2018, mais 1,85 mil milhões que em 2017, revela o Banco de Portugal.

Cresce a área de intermediária de crédito

Num contexto de concessão de créditos, mais ou menos de forma desenfreada, que resulta muitas vezes na agudização da vida das famílias e no malparado para as instituições bancárias, tem vindo a crescer uma nova fórmula que pretende encontrar mecanismos que, de certo modo, possam corresponder a uma solução para consumidores com três, quatro e cinco créditos. E até mais. Consolidar é a proposta, juntar os créditos para sermos mais práticos. Mas não só. Intermediar casos, fazer a “ponte” entre o consumidor, normalmente em situação de dificuldade, e as instituições bancárias. Uma forma de intervenção no mercado que tem atraído os madeirenses e tem vindo, de forma progressiva, a regularizar a realidade de muitos incumprimentos.

A DS, do grupo Decisões & Soluções, está entre o conjunto de ofertas disponíveis para este novo enquadramento, assumindo-se como intermediária de créditos, é a única empresa do género que tem presença física na Região, está cá há um ano, mas existe há 15 anos, por todo o país. Devidamente certificada para o âmbito da sua atividade.

Sistema Intermediário de crédito reduz prestações

O volume de crédito contratado, em Portugal, está a crescer, está praticamente ao nível de 2010. A Banca está com mais algum cuidado e os critérios começam a apertar, mas é insuficiente para travar alguns ímpetos mais virados para um consumo que, sem pestanejar, resulta numa “bola de neve” sem retorno.

André Freitas, diretor da agência no Funchal, tem um histórico de cerca de uma centena de famílias madeirenses que foram pedir ajuda. Já viu de tudo, consumidores que vieram a tempo, outros com dois, três créditos, outros ainda com 120 por cento de taxa de esforço, ou seja mais créditos do que aquilo que corresponde ao seu rendimento mensal, já viu um caso com onze créditos, outro com sete cartões, já viu e sentiu o drama desses limites. Um mundo de problemas, só quem passa, só visto. Quanto a soluções, “nem todos têm, mas é possível resolver muitos dos problemas das pessoas, através de negociação, que normalmente resulta em reduções de 300 a 400 euros por mês no total dos créditos. Sem quaisquer custos para quem recorre ao serviço”.

Madeirenses recorrem mais ao crédito e pedem mais ajuda

No espaço de um ano, não tem dúvidas que os madeirenses estão a recorrer, cada vez mais, a uma intermediação de crédito, “preferem que sejamos intermediários junto da Banca como forma de abordar o problema de uma forma mais pormenorizada, mais articulada com os valores que estão em cima da mesa e com as possibilidades que as pessoas têm de cumprimento com as suas responsabilidades. Além disso, têm a informação que muitas vezes não lhes é dada na devida dimensão e consequência”.

André Freitas reconhece que “quando as pessoas chegam já vêm com um grau de endividamento muito grande. Na generalidade, é assim. O passo seguinte é intermediar o processo com as instituições bancárias, que já mostram recetividade neste género de ação, também ganham com soluções encontradas, querem muito conceder o crédito, mas querem receber”. Por isso, defende, também, um papel pedagógico junto das pessoas, sensibilizando-as para os perigos do recurso excessivo ao crédito”.

Cuidado com as ofertas de crédito na internet

Defende que “o Banco de Portugal deveria criar algumas restrições no crédito ao consumo, da mesma forma que o faz em relação ao crédito à habitação. Ao consumo, há maior flexibilidade e se não é um, é outro que empresta. Além disso, é preciso que as pessoas tenham algum cuidado sobre as ofertas que estão disponíveis pela internet, existem mesmo situações em que solicitam uma verba para iniciar processos e depois nem dinheiro nem processo. É importante ter cuidado sobre as entidades a quem recorrem para este tipo de situações”.

Banco de Portugal dá números de janeiro

Numa análise aos empréstimos concedidos pelo setor financeiro, referente a janeiro e publicada pelo Banco de Portugal em fevereiro, é ali revelado que “o rácio de crédito vencido das famílias manteve-se em 3,4%. A percentagem de devedores com crédito vencido aumentou 0,2 pp face a dezembro, para 10,2%.

O BdP dá a conhecer, no seu site, que “em Portugal, o desenvolvimento da atividade de concessão de crédito, seja em que modalidade for, está reservada às entidades habilitadas, nos termos do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras (RGICSF). A inscrição destas entidades no Registo Especial de Instituições do Banco de Portugal é condição para o exercício, em Portugal, da atividade financeira sujeita à supervisão do Banco, designadamente da concessão de crédito, nos termos do RGICSF.

Assim, antes de contratarem quaisquer empréstimos, ou entregarem quaisquer bens ou cheques pré-datados no âmbito de contratos de financiamento, os visados deverão verificar, cuidadosamente, a legitimidade das entidades financiadoras. Podem fazê-lo no site do Banco de Portugal, onde está disponível a lista de instituições registadas e, portanto, habilitadas a exercer atividade financeira em Portugal. Em caso de dúvida, devem contactar o Banco de Portugal.”.