Maçonaria de origem inglesa reactivada na Madeira

A Maçonaria anda agitada na Madeira por causa da ‘Britannic Lodge’, uma loja maçónica inglesa que, por cá, acolhe cidadãos britânicos.

Segundo conseguimos apurar, o cidadão britânico que reactivou a loja no início deste ano tinha tudo encaminhado para, no próximo sábado, dia 8 de dezembro, assumir-se como “mestre venerável” mas um caso antigo denunciado pela revista satírica britânica “Private Eye” deverá comprometer a sua escolha que penderá para um outro cidadão inglês.

O caso foi denunciado pela “Private Eye” em março de 1992 e referia-se a um contabilista inglês que, alegadamente, ludibriaria os seus clientes, a maior parte maçons.

O contabilista -que entretanto reativou a loja na Madeira- processou a revista e perdeu ação em tribunal, em 2001. Ficou comprometida a sua idoneidade.

Aliás, a loja madeirense não tem o número suficiente de pessoas para se reunir porque muitos saíram por não concordarem que fosse o referido indivíduo a dirigir a loja.

A Loja Britânica da Madeira é de origem antiga. A sua antecessora (n.º 3683) foi fechada em 1935 após a eleição de Oliveira Salazar. Mudou-se para Inglaterra e esteve adormecida longos anos até que foi reactivada em 2005 com o n.º 134.

Em março deste ano a Loja foi re-consagrada com muita pompa e circunstância depois do aval da Grande Loja Legal de Portugal e com o apoio logístico de lojas macónicas madeirenses.

A consagração realizou-se no dia 17 de março de 2018 num restaurante de Câmara de Lobos, pelo Grão-Mestre da Grande Loja (Legal) de Portugal Júlio Meirinhos, com cerca de 70 “irmãos” presentes, incluindo visitantes de lojas locais, do continente português, Grande Loja da Inglaterra, Grande Loga Nacional Francesa, Grande Loja Regular da Sérvia e Grande Loja da Índia.

Nessa cerimónia participou o Grão-Mestre Provincial de Yorkshire, West Riding, David Pratt.

A hierarquia maçónica inglesa concedeu sua aprovação e, a 1 de outubro, a ‘Britannic Lodge’ foi reinstalada.

O crachá homenageia a sua antecessora com um design semelhante e adotou o lema da antiga loja: “Labor Omnia Vincit” (“O Trabalho vence tudo”).

Os membros da ‘Britannic’ encontram-se habitualmente em outubro, dezembro, fevereiro e abril.

As sessões têm de ter, pelo menos, 8 membros, que a loja não tem.