
Passou uma vida a governar, uma vida a falar, uma vida a escrever. Deu impulso ao PSD-Madeira, foi líder do partido e presidente do Governo Regional entre 1978 e 2015. Formou-se em Direito, em Coimbra dos encantos, foi jornalista, deixou marcas, na Região e no País. Contabiliza vitórias atrás de vitórias. No bom e no mau, esteve sempre igual a si próprio. Ou gostam muito ou gostam nada. Não há o assim, assim. Também ele nunca foi assim, assim. Foi mais “sim ou sopas”. É assim, Alberto João Jardim, o homem, o cidadão que esta sexta-feira vai lançar um livro. De ficção. Mas até na ficção, faz um aviso à realidade.
A expressão que Jardim deu à Autonomia
O Museu da Imprensa, em Câmara de Lobos, é o cenário escolhido para apresentar “diz NÃO!”, um livro que surge num contexto em que a Região parece reeditar um clima de crispação com a República, Jardim sabe disso como ninguém, teve atritos valentes com Lisboa, de diferentes governos, mesmo aqueles liderados pelo seu próprio partido, o PSD, sendo a tal ponto que até nem se deu mal com alguns governos do PS. A Autonomia ganhou expressão, às vezes “à força” de murros na mesa, salvaguardando naturalmente excessos que a vivência, os anos e as conjunturas também alimentaram. Tudo faz parte da história do processo autonómico.

Vejam o que pode suceder à Madeira nas mãos do colonialismo
Hoje, continua a escrever e as intervenções públicas que entretanto vai desenvolvendo, trazem à evidência um Jardim que, ausente de cargos de poder, tem a presença própria de quem não passa indiferente. O que é que diz do livro que vai lançar pelas 17 horas de sexta? Diz apenas que “este livro é todo ele ficção. Mas vejam o que pode suceder à Madeira, se os Madeirenses se entregarem nas mãos do colonialismo”. Um alerta que pode ser interpretado com ligações à conjuntura, ao facto de estarmos a um ano de eleições regionais, à disposição, no terreno, de forças que formam um contexto nunca antes vivido na Região. As respostas, por escrito, não permitiram insistir no que realmente está Jardim a pensar a esse propósito.
Não há contencioso, há umas bulhas partidárias
O que se sabe é que em matéria de “contencioso das Autonomias”, não crê que haja um reacender. Diz claramente que “não há um reacender do “contencioso das Autonomias”. Há umas bulhas partidárias a propósito de questões pontuais, sem sequer levar o Governo da República aos Tribunais competentes por causa da sua permanente violação da Constituição e do Estatuto Político-Administrativo.”
Jardim considera, neste particular, que o “contencioso da Autonomia” não é uma discussão a propósito disto ou daquilo. É uma luta política permanente, constante, longa, contra o colonialismo do Estado central português, até a Madeira, no seio da República Portuguesa, conseguir o estatuto constitucional que deseje”.
Dentro de trinta anos a Europa será apenas um destino de férias
É neste contexto de lançamento do livro que Alberto João Jardim deita um olhar pela Europa, o futuro do projeto europeísta mais propriamente, mas também faz a análise dos fenómenos que proliferam com o “carimbo” de protesto, mas que agora permitem eleger figuras controversas e radicalismos cujo alcance ainda está por avaliar, mas a seu devido tempo se saberá.
Jardim é de opinião que “face ao enorme desenvolvimento da Ásia e da América do Norte, com a África a cada vez mais repercutir os seus problemas sobre a Europa, com esta a ser a primeira a mais sofrer com a instabilidade que ajudou a criar no mundo islâmico, e com os imbecis que hoje definem os destinos políticos europeus, dentro de trinta ou alguns menos anos, a Europa será apenas um destino de férias – sol e cultura – e pouco mais terá para oferecer ao mundo, com rentabilidade para si própria”.
Mediocridade das classes políticas, demagogia consumista, sem valores
Já sobre a eleição de lideranças como, a título de exemplo, Trump e Bolsonaro, o ex-presidente do Governo Regional considera “fenómenos que resultam sobretudo da mediocridade das “classes políticas” deste início do século, cuja demagogia consumista, cujo “politicamente correcto” e cujas “causas fracturantes”, montaram um relativismo chamado de pós-moderno e de pós-verdade, sem Valores ou Referências bastantes para solidificar a Democracia.”
Jardim alerta para uma possibilidade que, na sua perspetiva, Portugal pode enfrentar: “Continuem, mesmo em Portugal, com o querer ganhar mais e trabalhar menos, com greves permanentes nos transportes e na saúde, com a indisciplina na Justiça e nas Forças de Segurança, que vão ver se não levam também com um Bolsonaro ou com um Maduro!…”
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