Multinível regressa para madeirenses que gostam de ser enganados: onde está o Ministério Público?

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Fotos in Facebook.

Tal como o FN já noticiou, o negócio multinível está a congregar centenas de madeirenses à volta da mesma mentora regional. Mudam os nomes, as caras dos líderes internacionais, os “trabalhos de casa do negócio”, mas os métodos são os mesmos. Desta vez, o nome deste promissor euromilhões é “Paydiamond” e tem por dinamizadores a “Brilliantteam”. Os nomes falam por si.

A recente conferência no Madeira Tecnopolo encheu com centenas de madeirenses ávidos de ganhar rapidamente e com pouco esforço. Desta vez, a tarefa é lapidar o diamante, chamar gente com dinheiro para a rede, ir às reuniões  e depois é só faturar. Tudo divulgado pelos vários concelhos da Madeira, como convém, e a reacender a chama da riqueza num tempo de cruel pobreza. Todos já vimos este filme antes. À partida, tudo começa tão verosímil e bem intencionado que a tentação de aderir é grande.

Desta vez, há uma grande nuance que devia fazer toda a diferença: já não há caloiros no multinível insular. Há um histórico bem trágico que urge analisar. Mas, ao que parece, o madeirense gosta de ser enganado. Os mesmos madeirenses – ou quase os mesmos – ainda sofrem com os mesmos ruinosos investimentos de má memória, dinamizados pelos mesmos líderes, que prometiam  mundos e fundos, desde o Telexfree ao Geteasy e tantos outros que começaram e desapareceram de forma meteórica, com polícia, fraudes, detenções, mortes e, sobretudo, muita, muita coisa sempre por explicar, muito dinheiro por dar ao seu dono.

pay-diamond1O FN sabe que há muitas famílias madeirenses que hipotecaram tudo o que tinham e não tinham – com recurso a empréstimos na banca e particulares – para ganharem dinheiro por conta do multinível. Só para dar um pequeno exemplo, no Caniçal, como noutras zonas da Madeira, a dimensão da ruína é grave e não tolera sequer que se faça humor com tamanho infortúnio. Bem se pode argumentar: ninguém é obrigado a entrar, a acreditar, a investir… Pois, mas a pressão é grande e o aliciamento é bem notório, o que, por si só, mereceria a intervenção das autoridades competentes, como tem acontecido a nível nacional e noutros países. Há gente detida na sequência deste tipo de negócios e não é por acaso.

Como alguns são masoquistas e gostam de comprar ilusões, e porque as autoridades assobiam para o ar, eis que o  madeirense volta a acreditar no Pai Natal, nos beneméritos que tudo fazem apenas para ajudar os outros, com frases de auto-ajuda inenarráveis, para lançar o engodo. Sim, porque depois da pirâmide cair, qual castelo de cartas, ninguém se lembra de dar justificações a quem tudo investiu e ficou a arder, alguns mesmo com tentativas de suicídio. Devolver dinheiro? Justificar o que aconteceu? Não. A solução é a fuga para a frente: uma, duas, três, quatro… enquanto houver crentes. Recomeçar outro negócio diferente, com outros nomes e figurões internacionais, de sotaque brasileiro ou espanhol, e o aliciar com o argumento de que se está a faturar e a repor as perdas do negócio anterior. Se for preciso, empresta-se o dinheiro para a entrada do cliente com o argumento de ajudar…

paydiamondSim, talvez os líderes brilhantes, os primeiros que lançam a rede bem ganham, e os outros? Se não entra mais ninguém para lapidar o diamante, fica em bruto e lá se foi o negócio. Há que chamar gente, dar a ilusão de faturar, até à queda final. Depois da queda, o silêncio, a revolta, a vergonha… Até começar outro!

O FN até não se admira que apareçam estes “investimentos” e “players”, liderados pelos mesmos “beneméritos”, a congregar centenas de crentes. Tudo é possível numa economia aberta, dita de mercado. O que faz pasmar é que o Ministério Público e demais autoridades competentes façam de conta que não estão nem a ver nem a ler nada. Estarão à espera de uma tragédia para intervir?

Por fim, o FN lembra ainda que, não só ir ao Casino da Madeira jogar e desterrar fortunas é um vício grave. Aliciar sistematicamente cidadãos para os negócios multinível, após o historial dramático bem recente, já é vício, para não qualificar de outra forma.