
O FN repesca hoje do baú das memórias uma figura que marcou também um tempo na Madeira: Anthony Miles. Nasceu nesta ilha em 1937 mas tornou-se num cidadão inglês por opção. Ao longo da vida, um homem dividido entre a Inglaterra e a Madeira.
É conhecido por ser um homem de valores e de verticalidade nas posições que toma. Tal como outros empresários ingleses, não foi poupado pelo longo governo jardinista por alegadamente representar os interesses colonialistas da Madeira velha, como tantas vezes foi apregoado por Alberto João Jardim. Miles e outros não tiveram vida fácil na era da democracia jardinista e tudo quanto era projeto inglês esbarrava nos iimpasses e nas burocracias convenientes da política para manter tudo na estaca zero.
Mas o FN destaca a cortesia deste homem, a sua competência, a sua intervenção discreta mas firme, e a coragem de algumas vezes denunciar os erros do sistema político-empresarial, nomeadamente quando presidiu aos destinos da ACIF-Associação Comercial e Industrial do Funchal.
Filho único de uma família abastada de ingleses, com o pai vice-cônsul de Inglaterra na Madeira, divide a sua vida estudantil e depois como empresário entre o Reino Unido e esta Ilha.
Anthony Miles é filho único. Vive uma infância normal. Apesar de inglês, não conhece outra ilha que não a Madeira neste período.Depois, estuda na severidade dos jesuítas e chega também a formar-se em Civilização Francesa, em Paris.
Aprende os primeiros passos da indústria cervejeira na Inglaterra e é neste domínio que Miles fará a sua carreira futura. A escolha recai na então empresa Central de Cervejas. A ideia é apostar forte na produção de cerveja. Nasce a marca Coral. Segundo a biografia feita pelo site “A Madeira”, a gestão da Empresa de Cervejas da Madeira passa a ser mais profissionalizada. Fica com a gestão da empresa familiar e tem ainda uma participação na Madeira Wine Company.
Mas os ventos da revolução também chegam à ECM. A nacionalização atinge a quota da família Araújo, que detinha a Águas do Porto Santo.Por sorte, a quota da H.P.Miles escapa. Por ser considerado capital estrangeiro. O Governo de Vasco Gonçalves nacionaliza tudo, ou quase. Ao mesmo tempo, pretende criar uma imagem no estrangeiro de credibilidade.
Na Madeira Wine o capital social da empresa é alterado. A H.P.Miles vende a pequena participação. É uma oportunidade para reinvestir as mais-valias na ECM, a juntar à compra da participação da família Leacock. A família Miles concentra os seus recursos financeiros na ECM. Anthony Miles assume a presidência do Conselho de Administração até surgir uma alteração no capital da empresa, com a compra da quota do Governo Regional, e com a entrada do Grupo Pestana para a H.P.Miles. Passa a ser vice-presidente e é feito um reajustamento de capital na empresa.
Anthony Miles está hoje retirado da ribalta da vida ativa empresarial que, entretanto, como sempre, passou a ser ocupada por outras figuras.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.






