
Das melhores coisas que já aconteceram ao Funchal, nestes tempos mais recentes de crise, foi a aparição de músicos de rua. Esta imagem foi captada hoje de manhã na zona das esplanadas no coração da cidade, e o som que a acompanhava ao vivo, até dava gosto.
Parece impossível, mas este tipo de imagem era quase impensável há alguns anos atrás. O Funchal caracterizava-se por uma ausência quase total de música nas ruas. Mesmo a tradicional e popular madeirense, só por ocasião de determinadas festividades, altura em que eram convocados intérpretes e grupos folclóricos. Ainda hoje é assim, em grande parte.
Entretanto surgiram músicos de diversas nacionalidades a tocar para madeirense e turista ver… e ouvir. E houve madeirenses que lhes seguiram as pisadas, como os muito talentosos músicos que, com instrumentos de metais e um curioso instrumento de percussão feito de grandes tubos, animam várias zonas da cidade.
Porém, falta uma coisa e é lamentável que não haja espírito entre nós para a concretizar. Numa terra onde há um conservatório de música, onde há bandas filarmónicas e outras escolas de música com instrumentos da chamada música erudita, é impossível ver algum jovem na rua a tocar um fagote, um violino, um violoncelo.. à semelhança do que fazem muitos jovens estudanrtes de música em tantas capitais europeias: vão ensaiando e praticando nas ruas, e sempre ganham uns trocos de quem passa.
Mas é claro que o madeirense é demasiado orgulhoso para permitir que os seus filhos façam algo que os jovens vienenses, por exemplo, fazem a granel. Cair-lhes-iam os parentes na lama, as comadres falariam, diriam que o jovem é pobrezinho, até toca na rua por umas moedinhas. As mentalidades que ainda é preciso mudar neste país…
Entretanto, resta-nos ir apreciando o entusiasmo e competência dos músicos visitantes, que não têm vergonha de pegar nos mais variados instrumentos, inclusive uma guitarra eléctrica, e tocá-la nas ruas da cidade. E que bem que sabem algumas notas soltas na brisa da manhã…
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