Marcelo afirma-se um defensor das autonomias

Fotos: Rui Marote

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O candidato às Presidenciais do dia 24, Marcelo Rebelo de Sousa, levou hoje um banho de multidão numa arruada que passou pelo centro do Funchal e que contou com a presença de numerosa comunicação social. Percorrendo, na companhia da sua mandatária regional, Fátima Marques, a placa central da Avenida Arriaga desde o Teatro Municipal Baltazar Dias ao Café Apolo, muitas foram as pessoas que fizeram questão de se deslocar ao local para manifestar-lhe o seu apoio, entre as quais o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque. Também numerosos foram aqueles que quiseram aproximar-se de Marcelo para lhe dar um abraço ou um aperto de mão e dirigir-lhe palavras de incentivo na sua candidatura, ou mesmo tirar com ele uma fotografia. O professor de Direito e comentador político até interagiu com turistas, mostrando o seu domínio da língua alemã e surpreendendo pela simpatia e à-vontade. Na realidade, comunicador nato, Marcelo está muito à vontade no contacto com o público e isso beneficia-o enormemente.

Cercado por repórteres da televisão, da rádio e dos jornais, o candidato elegeu como seu principal adversário “os problemas dos portugueses”.

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Entre eles, considerou, “o principal adversário é sem dúvida a situação económica e social e o desejo de sairmos da crise. Temos que sair dela dê por onde der – não é possível prolongarmos mais isto, porque está a custar imenso a muitos portugueses. E quanto mais depressa melhor”.

Questionado sobre se está a ignorar os seus adversários políticos, respondeu que o que o preocupa são os problemas nacionais. “Depois, o que existe são outras candidaturas que naturalmente cumprem a sua função”.

Aproveitando o facto de estar na terra de CR7, como referiu, os portugueses percebem bem esta metáfora desportiva: “Num jogo de futebol, os adversários são os dois clubes que se defrontam. Cada um quer meter golos ao outro. Ora, eu quero colocar-me, como presidente da República, na posição de árbitro. O árbitro não está contra nenhum dos clubes, está acima deles”, sublinhou. “Ora apita contra o clube que está à esquerda, ora contra o clube que está à direita, conforme o caso. Deve é arbitrar”.

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E recusou-se a entrar em polémicas com as outras candidaturas. Sobre o Orçamento de Estado do actual Governo PS, acrescentou que “felizmente o Governo aponta para uma meta que me parece correcta: 3% de défice. Tudo o que for feito para que o Governo tenha sucesso, o presidente deve colaborar”.

Falando aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa declarou-se “um defensor das autonomias”, desde a mudança na Constituição que consagrou  “esse grande princípio da democracia portuguesa”. Manteve o apoio, realçou, em várias revisões constitucionais. “E depois conheço muito bem a Madeira, os madeirenses conhecem-me e eu conheço bem os madeirenses, porque aqui vim não uma, não cinco, não dez vezes, mas dezenas ao longo de 40 anos”.

“Apoiamos porque não temos qualquer equívoco relativamente a esta questão. Acho que os valores que o prof. Marcelo representa são aqueles em que me revejo, e em que o nosso partido se revê: os do humanismo, do personalismo e da intervenção do Estado no sentido de combater as injustiças e as desigualdades. São valores que partilhamos também ao nível do ideário do nosso partido na Madeira”, declarou o presidente do Governo Regional.

Questionado sobre se está convicto de que Marcelo ganhará à primeira volta, Albuquerque respondeu afirmativamente, aproveitando para salientar a “vasta experiência política” e o “conhecimento profundo da realidade económica e social da Região e da própria problemática ligada às autonomias regionais”.

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O apoio declarado a Marcelo Rebelo de Sousa é assumido pelo Executivo que governa agora a Madeira “sem qualquer problema”, face a um Governo da República de cor socialista: “Assumimos as nossas posições e valores, não temos que estar a disfarçar nada”.

Miguel Albuquerque prosseguiu dizendo que as eleições presidenciais “não são partidárias”, embora, obviamente, “os partidos políticos sejam essenciais à democracia, e devam tomar posição em todos os sufrágios eleitorais”.

Perante esta posição, Marcelo disse aos jornalistas que ficava “muito agradecido por este apoio do PSD-Madeira, através do seu líder”.

“Já sabem que eu não peço apoios, a candidatura é independente, não vincula apoios. Mas é evidente que agradeço o apoio do PSD-Madeira, e a presença do dr. Miguel Albuquerque aqui, para testemunhar a sua solidariedade. Devo aproveitar também para manifestar a minha concordância com o que disse ontem o dr. Pedro Passos Coelho numa entrevista à Rádio Renascença: que concordava com aquilo que eu tinha dito quanto à duração do Governo, parece-me evidente, deve-se desejar que este Governo tenha toda a felicidade e todo o sucesso, que é o sucesso de Portugal. Por outro lado, explicou porque é que entendia não dever participar na campanha eleitoral, para não contaminar uma campanha independente com querelas ou questões de natureza partidária. Eu também concordo”, declarou Marcelo.

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O candidato afirmou que lançou a candidatura, para depois se limitar a aceitar os apoios que surgem, inclusive a nível de mandatários “muitos dos quais não são do PSD”.

“Há um leque muito amplo de apoios”, disse, citando Durão Barroso e Freitas do Amaral, este último “hoje uma pessoa muito mais conotada à esquerda do que propriamente à direita”.

Questionado o motivo da visita ao Museu de Cristiano Ronaldo na Madeira, Marcelo Rebelo de Sousa disse que tal acontece para “manifestar a sua solidariedade” ao futebolista.

“Como é público e notório, nós estivemos juntos várias vezes, e estivemos juntos na ocasião em que ele, há um ano, recebeu a Bola de Ouro. Não recebeu este ano, e os amigos são para todos os tempos, todas as estações!”, frisou o conhecido docente de Direito, que disse que vai visitar esta tarde o Museu de CR7 porque quer testemunhar “com a minha presença simbólica” que está solidário com ele.

Apresentado ao actual líder do CDS-PP/Madeira, Lopes da Fonseca, que o foi cumprimentar e manifestar o apoio do partido na Região, Marcelo ficou contente e disse que tal “significa perceber a amplitude da minha candidatura, e como ela é transversal, nacional, independente”.

“Contamos que à primeira volta seja eleito”, disse-lhe Lopes da Fonseca, ao que Marcelo Rebelo de Sousa retrucou: “Pelo que tenho visto na rua, nestes contactos pessoais, o que eu tenho sentido confirma o que as sondagens têm dito. As sondagens dizem em números, eu tenho sentido em calor humano”, congratulou-se.

O professor foi ainda surpreendido pelo fotojornalista Rui Marote, do Funchal Notícias, com uma fotografia da mãe de Marcelo, tirada por este profissional sénior do jornalismo, há muitos anos no hospital Miguel Bombarda, em Moçambique, na então Lourenço Marques.

De seguida, o professor seguiu para Câmara de Lobos. Às 15h, deverá visitar o bairro de Santo Amaro o projecto ‘Garota do Calhau’, de Nini Andrade Silva, e às 17 h o Museu de Cristiano Ronaldo. Às 18 horas desloca-se a Santa Cruz e Machico.


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