Jardim “atira-se” ao PAEF em nome da verdade histórica

alberto-joao-jardim-09O ex-presidente do Governo Regional continua “a andar por aí”, atento à dinâmica política e vem a público esclarecer, em opinião divulgada na sua página de Facebook, as verbas do Plano de Ajustamento Económico e Financeiro da Madeira-PAEF, no seu estilo direto e cáustico.

“Um jornal diário, criado pelo Governo Regional da Madeira em Setembro último – o “Jornal da Madeira”, hoje e bem, é pertença da Diocese do Funchal que certamente, na devida oportunidade, o fará editar para a Formação da Pessoa Humana – o novo diário apresentou um benvindo epitáfio ao Plano de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF) da Madeira, trabalho, que, no entanto, merece correcções.
A lacuna mais gritante das quatro páginas inflacionadas de verbo, é o branqueamento do Governo Passos Coelho.
Esquece que o Governo Passos Coelho não considerou, nem assumiu, que a impropriamente chamada “dívida da Madeira” – QUE O POVO MADEIRENSE NÃO DEVE RECONHECER – resulta de uma imprescindível e inadiável RECUPERAÇÃO, nosso Direito, após a extorsão colonial de séculos pelo Estado central português.
Omite que o PAEF foi um IMPOSIÇÃO do Governo Passos Coelho, a qual teve de ser aceite em ESTADO DE NECESSIDADE, sob pena de faltar a liquidez para assegurar os serviços essenciais à população e, mesmo assim, ainda ser concretizado algum investimento público.
Ignora que o Governo Passos Coelho tratou a Madeira mais um vez como colónia, não nos incluindo na solução encontrada para a divida pública nacional, antes impondo separatistamente um regime à parte e específico que sobrecarregou mais o Povo Madeirense, comparativamente com os restantes Portugueses.
Outra deficiência da prosa em análise, é a de dar a impressão de que só o PAEF imposto à Madeira foi considerado “duro” e “exagerado”. Quando tal infelizmente também aconteceu em relação ao PAEF nacional, como o reconheceu o próprio FMI.
Só que a diferença residiu na tal “dureza” e “exagero” terem sido opções confessadas do próprio Governo Passos Coelho, enquanto na Madeira eram imposição de Lisboa.
Depois, o texto do jornal do Governo Regional – coitado, enjeitado em benefício do outro, quando de “caixas” se trata – repete a mentira ardilosamente montada de uma imaginaria “ocultação de divida”. Cabala então alimentada pela própria clique no poder em Lisboa.
Quando o que comprovadamente se registou, foi uma diferença de critérios contabilísticos entre diferentes departamentos, imediatamente mandada corrigir pelo Governo Regional quando alertado. Governo Regional que foi quem tomou a iniciativa de avisar o Banco de Portugal e o Instituto Nacional de Estatística, até para concretizar o objectivo de, nas eleições regionais de 2011, tudo já ser do correcto conhecimento do Eleitorado, como felizmente sucedeu.
Também já na altura fora esclarecido que a menção de “legítima defesa” se referia ao enorme esforço de resistência financeira ao garrote Sócrates/Teixeira dos Santos, nada tendo que ver com as diferentes metodologias financeiras logo corrigidas.
Trabalho jornalístico sobre o PAEF onde falha a referência ética à falta de qualidade do Estado português. Este, também nesta questão das finanças da Madeira, exprime a mediocridade de deixar vir ao de cima as incompatibilidades não institucionais para connosco, por parte do então Governo da República.
E se isto esclareço, é porque prometi fazê-lo, sempre que a objectividade histórica seja adulterada.
Faço-o sem julgar intenções.
Mas, apesar de todo o mal, o cumprimento rigoroso do PAEF da Madeira, por todos reconhecido tal como reconhecido deficiente o cumprimento do PAEF nacional, teve importância para o futuro da Região e da sua credibilidade.
Afirmou capacidade governativa, tanto em tempos de “vacas gordas”, como em tempo de “vacas magras”.
Mas sabe-se que a capacidade provoca infelicidade nos invejosos e nos frustrados.
Por isso, tudo o que a bandalhoco-partidoqueira voltou a debitar sobre o PAEF, merece-me aqui o desprezo estampado no teatro shakespeariano: “… o resto é silêncio”.”

Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.