
Intervenções técnicas no antigo campo desportivo conhecido por ‘galinheiro’, nas traseiras do Estádio do Marítimo, estão a deixar os moradores da zona dos Barreiros apreensivos e descontentes, ao ponto de terem já preparado um documento de protesto, com mais de 200 assinaturas, que será entregue hoje ou amanhã na Câmara Municipal do Funchal.
O abaixo-assinado pretende marcar a posição dos residentes contra um presumível processo de construção que, a acontecer, consideram pouco transparente e à revelia do equilíbrio paisagístico da zona e dos interesses da população, em matéria de garantia de espaços públicos para atividade lúdico-desportiva.
A queixa, que será entregue nos serviços camarários por estes dias, terá ainda como objetivo alertar as autoridades em tempo útil para que se possam acionar eventuais mecanismos de impedimento à ocupação do terreno, localizado no gaveto entre a Rua da Levada dos Barreiros e a Rua dos Barreiros, para fins privados, quando o espaço, no passado, foi de acesso público.
O silêncio que paira sobre o futuro daquela área é motivo também de preocupação entre os moradores, receando a estratégia do facto consumado por força de outros interesses que não o público.

O alvo da contestação é a direção do Marítimo, a entidade promotora das obras no estádio, a quem acusam ter comprometido o equilíbrio paisagístico da zona sem preocupação pelos residentes e pela cidade. “Basta ver a muralha exagerada que construíram na zona da bancada central. É um autêntico muro da vergonha, é mesmo poluição visual”, desabafou um subscritores do abaixo-assinado.
Receiam que o clube esteja agora a preparar-se para ocupar a antiga área desportiva. Popularmente conhecida por ‘galinheiro’, graças à vedação, foi nos últimos tempos utilizada como estaleiro de apoio às obras que decorrem no Estádio do Marítimo. Recentemente, tem sido alvo de intervenções técnicas que não passaram despercebidas aos moradores, como sejam perfurações para estudos geológicos e marcação de referências nos passeios que circundam o campo, indicando cotas de construção e profundidade. Ninguém confirma a viva voz, mas entre os moradores fala-se num empreendimento residencial para atletas, com estacionamento subterrâneo, sob a égide do CS Marítimo.

Perante estes sinais, os moradores receiam que possa estar ali em curso a construção de um edifício de volumetria exagerada, que irá não só piorar o impacto visual negativo já infligido pelas obras de ampliação da bancada central do estádio, como retirar à população do Funchal uma zona nobre para a prática de desporto. Ainda mais agora que, no novo empreendimento, deixou de haver pista de atletismo. “Se avançam com mais um edifício de três pisos, corremos o risco de ficar emparedados”, vaticina um dos residentes.

Até à hora do fecho desta peça, não foi possível ao FN chegar à fala com representantes do CSM, no sentido de apurar se os receios dos moradores têm qualquer fundamento e quais os planos do clube para aquela área, no âmbito do projeto de remodelação do antigo Estádio dos Barreiros.
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