Líder nacional do PS faz oposição a Carlos Pereira e abre uma crise com a Madeira

CONGRESSO-CARLOS PEREIRA À ENTRADA
Apesar da união no recente Congresso Regional do, Costa decide unilateralmente e cria uma guerra interna ao PS/M.

Pouco depois da meia noite, o Funchal Notícias divulgou a escolha da direção nacional do PS por Bernardo Trindade como cabeça de lista pela Madeira para as eleições legislativas. A notícia foi avançada segundos antes pela SIC. A decisão foi recebida com grande descontentamento e revolta por parte da liderança de Carlos Pereira, embora este já a esperasse há alguns dias. Em causa está o desrespeito pelos órgãos regionais do partido na escolha do candidato que é imposto pela direção nacional de António Costa.

Pela ordem natural das coisas, O atual líder regional, Carlos Pereira, seria o cabeça de lista. Mas António Costa, que arrasta atrás de si os habituais lobbies próprios de quem navega no poder e na política há anos, mostrou quem manda e mandou a autonomia do PS/M diplomaticamente às malvas.

O PS/M demitiu já um comunicado, assinado pelo Departamento de Comunicação, Amândio Silva – que se reproduz – onde expressa todo o seu descontentamento e discordância perante a decisão nacional.

“1. O Partido Socialista deu a conhecer através da SIC-Notícias os nomes dos cabeças de lista distritais e das regiões autónomas às próximas eleições legislativas;

2.   Independente do nome apresentado como sendo o cabeça de lista pela Madeira, estranha-se que não tenha havido o imprescindível respeito pela autonomia estatuária do PS-M, como de resto sempre aconteceu;

 3.  O PS-M acabou de sair de um congresso, estando para breve a eleição dos seus órgãos regionais aos quais incumbe apontar os candidatos pela RAM;

 4. O timing da comunicação efetuada é anormal, precipitado e incompreensível para mais tendo em linha de conta que não foram sequer definidos, pela Comissão Politica Nacional, os perfis dos candidatos ao arrepio da longa praxis política interna do Partido Socialista;

 5. O sucedido viola os mais elementares valores da democracia e da autonomia pelos quais o PS-M se pauta;

 6. Com o referido procedimento o Partido Socialista de António Costa mais não faz do que afirmar o centralismo do Largo do Rato, agora como noutras ocasiões, com o agrément dos “escolhidos” em detrimento de uma estratégia que valorize e afirme o PS-M no plano regional e nacional, vá-se lá saber porquê;

 7. O Secretário-geral, terá de informar os militantes, os simpatizantes e o eleitorado madeirense dos motivos pelos quais colocou o respeito institucional e a autonomia do PS-M na gaveta quando conhecia todos os contornos da sua estratégia para as próximas eleições, a qual lhe foi atempadamente comunicada;

 8.       A seu tempo o PS-M apresentará ao Secretário-geral do Partido Socialista, Dr. António Costa, a lista completa dos candidatos de acordo com o que vier a ser determinado nos seus órgãos próprios”.

CONGRESSO PAS-TRINDADE
Há menos de duas semanas, no Congresso do PS/M, Bernardo Trindade já esperava ser cabeça de lista à revelia da Madeira.