André Escórcio sai em defesa de Carlos Pereira

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André Escórcio conhece bem as “tramas” políticas desta decisão.

André Escórcio, figura histórica do PS/M, pronuncia-se no seu blogue e facebook sobre a imposição de Costa ao PS/M, na escolha de Bernardo Trindade para cabeça de lista às eleições legislativas pela Madeira.

Distanciado dos órgãos do partido, mas atento à atualidade, André Escórcio sai em defesa de Carlos Pereira e do partido na Região, numa posição que se reproduz em seguida:

“De forma muito clara e directa: o Dr. Carlos Pereira é o líder do PS-Madeira, logo o candidato natural à Assembleia da República. O texto de hoje publicado na edição do DN-Madeira (página 18) que dá conta de uma alegada “escolha” do Dr. Bernardo Trindade como cabeça de lista pelo PS-Madeira, confesso, não me surpreendeu. Conheço o essencial da trama e das cumplicidades. Mas não é por aí que quero tecer algumas considerações, tampouco comento a profunda deselegância do Dr. António Costa ao tentar ultrapassar os órgãos políticos da estrutura regional que, saliento, gozam de autonomia. Situo-me apenas na matéria de facto. O PS, após um resultado muito desagradável nas últimas legislativas, realizou um Congresso. À liderança puderam, livremente, candidatar-se os militantes, no mínimo, com as quotas em dia. Bernardo Trindade não o tendo feito, o que pressupõe desinteresse pela luta política regional, pergunta-se, que legitimidade tem para, agora, ser candidato pela Madeira?

Depois, há um aspecto que me causa um certo enjoo. Há oito anos que o PS-Madeira tem, na figura de Carlos Pereira, a sua principal referência. Foi, através do estudo que empreendeu, que os madeirenses ficaram a saber, cêntimo a cêntimo, a verdadeira dívida da Madeira, sempre negada pelo governo da Região e, mais tarde, confirmada pelo governo da República. Independentemente dessa importante tarefa, traduzida em livro (A Herança), Carlos Pereira com a sua notável capacidade de trabalho, de argumentação, rapidez de raciocínio e fluência de palavra, manteve a chama de uma necessária alternativa construída na sede da Autonomia. Durante todo esse tempo, relativamente à Madeira político-partidária, nunca ouvi ou li uma posição de Bernardo Trindade frontal e inequívoca. Escolheu viver em Lisboa, desde há dez anos, é lá que desenvolve(u) a sua actividade profissional, portanto, ao Dr. António Costa, se pretende tê-lo na Assembleia da República deve convidá-lo a concorrer por Lisboa. Pela Madeira, NÃO.
Em suma, faço minhas as palavras do Dr. Carlos Pereira: um PS “barriga de aluguer” de interesses, NÃO, OBRIGADO. Para além do facto de, pessoalmente, estar farto de mitos e de sebastianismos bacocos”.